Missas em ALMANCIL em 2026
IGREJA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
Missas em semana :
Terças, Quartas, Sextas e Sábados : 17h30
Quintas : 18h30 - Adoração ao S. Sacramento : 17h30
DOMINGOS : 9h30 e 12h00
Missa en Inglês 10h45

Párocos de Almancil
Paróquia sediada em São João da Venda
22/04/1658 Sebastião de Faria Pessanha
1729 - 1731 António Guerreiro
1731 - 1734 Manuel de Sousa Teixeira
1734 - 1742 Joseph Caetano de Souza (Prior encomendado)
1742 - 1752 António Guerreiro
1752 - 1763 José Pereira Lyma
1763 - Cristino Maria José
1803 - 1816 José Caetano Sachez
1816 - 1819 Manoel Ferro e Sousa
1819 - 1822 Francisco das Chagas Leal Revez
1822 - 1824 José Manuel da Silva Conceição
1824 - 1828 Manoel da Silva Lopes Fonseca
1828 - 1834 José Pedro Aleixo
1834 - 1844 José Lopes França
1844 - 1845 Manoel da Silva Lopes Fonseca (Prior encomendado)
1845 - 1848 José Francisco de Carvalho
1848 - 1850 Francisco das Chagas Leal Revez
1850 - 1854 Diogo de Oliveira e Horta
1854 - 1860 António Barbosa e Mattos
1863 - 1863 Jorge Xavier Leal
1863 - 1867 João Inácio Tavares
1867 - 1869 Manoel José da Gama
1869 - 1875 Jorge Xavier Leal
1875 - 1878 António Francisco de Paula (Prior encomendado)
1878 - 1881 Alexandre João do Nascimento (Prior encomendado)
1881 - 1887 Augusto Martins d’Andrade
1887 - 1888 Alexandre João do Nascimento (Prior encomendado)
1888 - 1894 Filippe António de Brito
1894 - 1896 Alexandre João do Nascimento (Prior encomendado)
1896 - 1903 António Baptista Vieira
1903 - 1910 Joaquim da Cruz Guerreiro
1910 - 1915 João dos Santos Silva (Prior encomendado)
1915 - 1920 Francisco Lucas Pacheco
1920 - 1921 João dos Santos Silva
1921 - 1960 José Pedro Leal (Prior encomendado até 1940, depois Pároco),
1960 - 1961 Clementino de Brito Pinto
1961 - 1974 António Inácio
1974 -1976 José António Nobre Duarte (Pároco interino)
1976 - 1992 Francisco Costa Rita
1992 - 2012 Gilberto Melquíades Soares Santos
2012 - Jorge Manuel das Candeias de Carvalho
Sinal da Cruz
Pelo Sinal da Santa Cruz, livre-nos, Deus nosso Senhor, dos nossos inimigos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ámen.
Deus é o protagonista na oração
Basta-te a Minha graça: a força realiza-se na debilidade. Não raramente somos tentados a pensar que Deus não nos ouve ou que não nos responde.
O que é a oração?
A oração consiste em elevar a alma a Deus ou em pedir a Deus bens conformes à sua vontade. Ela é sempre um dom de Deus que vem ao encontro do homem. A oração cristã é relação pessoal e viva dos filhos de Deus com o Pai infinitamente bom, com o seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo que habita no coração daqueles.
Renovamento carismático católico
O Renovamento Carismático Católico, por vezes também designado como Renovação Carismática Católica, surgiu (na Igreja de hoje) como uma onda de renovação da graça de Pentecostes.
O Renovamento Carismático Católico não é um movimento à semelhança de outros movimentos da Igreja Católica. Por exemplo, ao contrário de outros movimentos não tem um fundador: foi suscitado pelo Espírito Santo como caminho de renovação da Igreja. O Renovamento Carismático Católico é, de facto, melhor descrito como uma graça, uma onda de renovação que percorre a Igreja impelida pelo Espírito Santo.
Ao convocar o Concílio Vaticano II, o Papa João XXIII pedia ao Senhor que renovasse, na nossa época, as maravilhas de então "como um novo Pentecostes". E, na verdade, pouco depois do encerramento do Concílio surge o Renovamento Carismático Católico na Igreja Católica. No dizer do Cardeal Suenens o Renovamento Carismático é uma segunda graça de Deus à Igreja e ao Mundo, depois da primeira graça que foi o Concílio Vaticano II.
Como nasceu o Renovamento Carismático Católico?
Alguns professores e alunos da Universidade do Espírito Santo de Duquesne, em Pittsburg, na Pensilvânia (Estados Unidos da América), reuniram-se frequentemente para partilhar as suas experiências de fé. Todos reconheciam, porém, um certo vazio no fundo de si mesmos, falta de dinamismo e uma clara tibieza nas suas orações e atividades apostólicas. Era como se a vida dependesse, em elevado grau, dos seus próprios esforços…
Conscientes de que a força da primitiva comunidade cristã teve origem na vinda do Paráclito Consolador, começaram a pedir incessantemente ao Espírito Santo que manifestasse neles a sua presença cheia de poder, para bem da vida espiritual de cada um e êxito dos seus trabalhos apostólicos. Diariamente rezavam o "Vinde Espírito Santo" por todos os membros do grupo. Entretanto, alguns estudantes do grupo tinham lido o livro "A cruz e o punhal" em que um pastor pentecostal americano relata como, na sequência da sua ação no meio dos jovens drogados de Nova Iorque, o Espírito Santo operava numerosas conversões.
Decidiram então de 17 a 19 de Fevereiro de 1967 realizar um retiro de fim-de-semana conjuntamente com o capelão da Universidade. Todo o sábado foi passado em oração e estudo, nomeadamente do Livro dos Actos dos Apóstolos. Continuaram pela noite fora implorando a efusão do Espírito Santo. Muitos dos presentes, nesse fim-de-semana, tiveram a certeza espiritual de que a sua oração fora ouvida pela transformação interior e pela alegria espiritual que sentiram, naquela experiência de Pentecostes pessoal e comunitária. Isto foi para eles uma verdadeira "atualização de Pentecostes"… Sem Fundador, tinha nascido o Renovamento Carismático Católico. Esta experiência foi partilhada com amigos da Universidade de Notre Dame, em Indiana (Estados Unidos da América). Cerca de 30 pediram que rezassem também por eles, para que as suas vidas se tornassem profundamente cristãs… Tornaram-se "homens novos"…Graças à força imparável do Espírito Santo essa chispa propagou-se como incêndio em folha seca, invadiu os cinco continentes e tocou nestes 33 anos a vida de mais de 120 milhões de pessoas.
Mas qual é, então, o centro ou o coração do Renovamento Carismático Católico?
É a Efusão do Espírito Santo, como experiência de Pentecostes pessoal, atestada pelos frutos que são, generalizadamente, os seguintes:
1. A redescoberta da pessoa viva de Jesus, como Senhor e Salvador, conduzindo a uma nova relação pessoal em Cristo.
2. O reencontro filial com Deus Pai com muita confiança, muita espontaneidade, muita alegria.
3. Um sentido novo e um gosto renovado pela oração pessoal e comunitária. Para muitos a descoberta da oração de louvor e adoração.
4. Um novo apreço pela Sagrada Escritura como Palavra viva de Deus, que converte e transforma.
5. Uma procura mais consciente dos Sacramentos, nomeadamente da Reconciliação e da Eucaristia, e uma participação com mais alegria nas celebrações litúrgicas.
6. Um amor renovado e uma maior fidelidade à Igreja assim como uma entrega mais generosa ao serviço dos irmãos. Daí o desabrochar de numerosas vocações no Renovamento Carismático Católico.
7. Um amor terno e filial a Maria, Mãe de Deus e da Igreja, e uma maior compreensão do seu lugar no plano da salvação.
8. Muitas vezes uma profunda conversão interior e a correspondente transformação de vida.
9. Uma maior liberdade espiritual e um sentido mais vivo da comunhão fraterna. Daí, um desejo sincero de vivência comunitária para crescimento na fé e na audácia da evangelização.
10. Uma força nova para dar testemunho do Senhor Jesus em todas as circunstâncias.
11. Finalmente, a experiência do exercício dos carismas, como instrumentos para uma nova evangelização.
Grupos de Oração
Os grupos de oração, com algumas dezenas ou centenas de participantes, reúnem uma vez por semana num encontro de oração em que predomina a oração de louvor e de ação de graças, a leitura orante da Palavra de Deus, o canto como expressão de oração e o ensinamento para crescer no conhecimento da fé.
Em Portugal, há cerca de 400 grupos de oração do Renovamento Carismático Católico que reúnem semanalmente cerca de 15.000 pessoas. Os membros destes grupos são, frequentemente, membros activos na sua paróquia ou em movimentos apostólicos e no apostolado sócio-caritativo.
Na nossa Paróquia o movimento conta com cerca de 15 elementos.
Renovação da Vida Cristã
Nas dioceses em que estes grupos de oração estão implantados existe, em princípio, uma Equipa de Serviço Diocesano, reconhecida pelo Bispo da Diocese.
"Em todos os continentes, escreve o antigo Bispo de Meaux D. Albert Monléon, no seu livro "Dai testemunho – o Renovamento Carismático Católico", os grupos de oração ajudaram e formaram muitos cristãos. Estiveram por vezes na origem de comunidades, de serviços paroquiais, de missões de evangelização, de diversas iniciativas, que testemunham a irradiação, no mundo, de uma vida de oração comunitária".
Por exemplo em Portugal, surgiu na Diocese de Setúbal, a partir de um grupo de oração do Renovamento Carismático Católico, o "Centro Jovem Tabor", que acolhe adolescentes e jovens provenientes de ambientes familiares desintegrados, constituindo uma alternativa à falta de família e ajudando-os na sua inserção ou reinserção social.
O apostolado sócio-caritativo e o voluntariado encontram no Renovamento um grande sustentáculo.
Nascidas de grupos de oração e a eles ligados, existem duas associações: Associação Pneuma, com o carisma de evangelização pela palavra escrita, e Kerygma – Associação Cultural, com o carisma de evangelização de animação musical e artística.
Mas, escreve ainda o antigo Bispo de Meaux no livro já citado, "a efusão do Espírito Santo ao renovar a graça do batismo e ao chamar à santidade, atrai um certo número de batizados para um compromisso de vida ainda mais radical.
Este chamamento ao absoluto do Evangelho pode tomar a forma de um compromisso numa vida comunitária, no desejo de uma partilha mais profunda da vida de oração, da comunhão fraterna, do aprofundamento da fé, da aspiração à santidade, do testemunho a dar ao mundo.
Foi assim que o Renovamento viu e vê surgir numerosas comunidades. Os seus membros comprometem-se, num projeto de vida, a dar-se mais radicalmente a Cristo e aos seu Reino, a servir a Igreja com uma maior disponibilidade segundo modalidades diversas. Estas comunidades são muito variadas pelo tamanho, pelo estilo de vida, a forma de compromisso comunitário, a vocação eclesial, a implantação, etc."
Atividades: Finalmente as atividades do Renovamento Carismático Católico são múltiplas … Normalmente cada Diocese realiza Assembleias Diocesanas, Retiros, Encontros de Formação, etc. …
A nível dos grupos de oração há outras atividades tais como: hospitais, evangelização de rua, colaboração nas paróquias…
As Comunidades desenvolvem, com autonomia, um conjunto de atividades próprias tais como o Fórum Nacional de Jovens, organizado pela Comunidade Emanuel. Escolas de Evangelização para jovens, evangelização de casais e famílias, retiros para sacerdotes, formação de responsáveis de grupos de oração, grandes assembleias em Fátima., atividade missionária, nomeadamente em países de língua oficial portuguesa, publicações e edições.
João Paulo II afirmou: «O aparecimento do Renovamento Carismático Católico logo a seguir ao Concílio Vaticano II foi uma graça particular do Espírito Santo para a Igreja. Foi um sinal de que muitos católicos desejavam viver mais plenamente a sua dignidade e vocação de filhos e filhas de Deus Pai, conhecer o poder redentor de Cristo Salvador numa experiência mais intensa de oração pessoal e comunitária, seguir o ensinamento das Escrituras interpretadas com a luz do mesmo Espírito que inspirou a sua redação. Um dos mais importantes frutos desta renovação espiritual tem sido, certamente, a crescente sede de santidade na vida das pessoas e da Igreja.»
Preparação para o Baptismo
O Sacramento do Baptismo
O Santo Batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito Santo («vitae spiritualis ianua – porta da vida espiritual») e a porta que dá acesso aos outros sacramentos. Pelo Batismo somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus: tornamo-nos membros de Cristo e somos incorporados na Igreja e tornados participantes na sua missão. «Batismos est sacramentam regeneratiorais per aquam in Verbo».
Quem pode receber o Batismo?
«Todo o ser humano ainda não batizado – e só ele – é capaz de receber o Batismo».
O BATISMO DAS CRIANÇAS
Nascidas com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, as crianças também têm necessidade do novo nascimento no Batismo para serem libertas do poder das trevas e transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, a que todos os homens são chamados. A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no Batismo das crianças. Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Batismo pouco depois do seu nascimento.
O BATISMO DOS ADULTOS
Desde os princípios da Igreja, o Batismo dos adultos é a situação mais corrente nas terras onde o anúncio do Evangelho ainda é recente. O catecumenato (preparação para o Batismo) tem, nesse caso, um lugar importante; sendo iniciação na fé e na vida cristã, deve dispor para o acolhimento do dom de Deus no Batismo, Confirmação e Eucaristia.
(Conf. Catecismo da Igreja Católica)
COMO BATIZAR O SEU FILHO NA PARÓQUIA DE ALMANCIL:
A preparação para o Batismo é indispensável e deverá ser feita preferencialmente na própria comunidade paroquial. No caso das crianças (até aos 5 anos de idade), cabe aos pais pedir o Batismo para os seus filhos. O pedido deve ser feito com, pelo menos dois meses de antecedência, para haver tempo de fazer todos os preparativos.
Os preparativos acima referidos incluem as reuniões de preparação para os pais e padrinhos e também as questões práticas referentes a datas e horas para a Celebração do Batismo e organização do processo administrativo.
Os Padrinhos
Os pais devem tomar a sério a escolha de bons padrinhos para seus filhos, a fim de que estes não se tornem numa mera «figura de adorno».
Para esta escolha, os pais não devem guiar-se apenas por razões de parentesco, de amizade e muito menos de prestígio social, mas sim pelo desejo sincero de confiar aos filhos, padrinhos que sejam capazes de influenciar eficaz e positivamente a sua educação cristã.
Cada criança pode ter um só padrinho (homem ou mulher) ou dois.
O que é necessário para ser padrinho?
Quais são as funções dos padrinhos
Questões práticas a ter em conta antes do Batismo
A veste batismal
A veste batismal deve ser branca. O sentido do branco na liturgia tem a ver com a pureza. Pelo batismo o baptizado é incorporado na Igreja e nasce para uma vida nova, a vida da graça. Esse sentido de nova vida traz consigo a pureza interior simbolizada na veste branca que se deve vestir, no momento próprio.
A vela do Batismo
Deve ser adquirida antecipadamente, a vela do batismo, que, durante a celebração, vai ser acesa no Círio Pascal.
Os fotógrafos
Os pais podem escolher o fotógrafo que desejarem. Contudo, os fotógrafos devem fazer o seu trabalho de forma discreta.
Flores
Sempre que os pais desejarem ornamentar a Igreja com flores, devem contactar, com, pelo menos, duas semanas de antecedência, a Paróquia.
Transferências de Batismo
Quando o Batismo vai ser realizado noutra paróquia (diferente da paróquia de residência dos pais da criança), tem de haver um pedido de transferência do processo de batismo.
Nestes casos, os pais devem marcar, no Cartório Paroquial, um encontro com o pároco. As transferências de Batismo obedecem a critérios específicos que têm de ser respeitados.
A catequese da Adolescência é uma caminhada de esclarecimento e resposta a muitas interrogações em relação a Jesus Cristo e à personalidade de cada adolescente.
Os adolescentes, inconscientemente, traçam um círculo em torno da pessoa e só deixam entrar aqueles que lhes reforçam o seu próprio eu. Encontram grandes dificuldades no relacionamento com eles próprios, com Deus e com os outros.
A catequese para a Adolescência têm início com a terceira etapa que tem o nome de:
O Sentido Cristão da Vida
É uma fase de descoberta de Jesus Cristo como o amigo, a grande referência para o sentido da vida e para a resolução das grandes questões existenciais.
7.º Ano – Projecto Mais
Festa: Bem-aventuranças
8.º Ano – Somos Mais
Festa: Vida
A quarta e última etapa da catequese da infância e da adolescência denomina-se:
O Compromisso Cristão
Esta etapa pretende ajudar os adolescentes a realizarem o seu compromisso comunitário e eclesial. Tem ainda em conta uma nova síntese da fé, agora no horizonte adolescente e juvenil. Esta etapa catequética compreende os seguintes anos:
9.º Ano – O Desafio de Viver
Festa: Compromisso
10.º Ano – A Alegria de Viver
Festa: Envio
Na nossa Paróquia a catequese funciona ao Sábado das 16:00 às 17:00 seguida pela Eucaristia às 17:30 e ao Domingo das 10h30 às 11h30 seguido pela Eucaristia dominical na Igreja Paroquial Nossa Senhora de Fátima em Almancil.
No cartório poderá tratar todos os assuntos relativos a processos de casamento e/ou batismo, área administrativa e financeira, marcação de intenções de missa, relações externas e institucionais, catequese e informações sobre os grupos e atividades da Paróquia.
História de Almancil
Almancil (ou Almansil) é uma freguesia portuguesa do concelho de Loulé, com 62,69 km² de área e 11 136 habitantes (2011). Densidade: 177,6 hab/km².
Freguesia de Almancil no Século XIX
Monografia do Concelho de Loulé - 1905
Francisco Xavier d’Athaíde Oliveira
“O padre Luiz Cardoso, que, no seu Diccionario Geographico foi sempre minuncioso em informações, diz de Almancil apenas o seguinte: “Aldêa no Reino do Algarve, comarca de Tavira, termo e freguezia de S. Clemente da villa de Loulé.” Já d’antesos visitadores do Mestrado de S. Thiago, que por ali deviam ter passado na sua visitação à Ermida de Farrobilhas, nem a Almancil se referiram; o que faz crer que em 1565 nem Ermida ali havia.
Dizem os antigos que effectivamente nos princípios da Monarquia Portuguesa ali existia apenas uma pequena casa de venda ou hospedaria, de origem árabe, e por tanto chamada Almançal, que significa hospedaria.
D’esta freguezia, que em 1841 ainda o não era, diz João Baptista da Silva Lopes:
“Da freguezia de Loulé cortou a Junta do Distrito de 1836… para formar a freguezia de Almancil, denominada S. Lourenço dos Matos de Almancil, larga porção de terrenos, que se juntaram à antiga freguezia de S. João da Venda, que é suprimida, sendo substituída por aquela.”
No entanto refere-se à egreja de S. Lourenço de Almancil, mas sem ainda ser sede de nova freguezia, pela maneira seguinte:
“Esta egreja é notável pela belleza com que estão pintados os azulejos, de que todas as paredes estão revestidas, e todos os passos da vida do santo, e pela delicadeza do altar, cujas almofadas são de alabastro preto e de varias cores, colhido ali mesmo. Tem de rendimento oitenta mil reis, bons paramentos, casas sufficientes, que podem servir para a residência do parocho; pelo que a todos os respeitas foi bem formada esta nova freguezia, que no decreto de 6 de novembro de 1836 vem mencionada em a nova divisão administrativa.”
É possível, pois, que o nome de Almancil venha do árabe Almançal, como também é possível que os azulejos, que hoje adornam o bonito templo dáquella freguezia sejam os mesmos que adornaram a egreja de farrobilhas a que nos referimos, quando escrevemos da freguezia de Loulé. No entanto, (o que não destroe a nossa suposição) é certo que a tradicção é constante em affirmar que os azulejos foram fabricados próximo do sitio e dentro da área da nova freguezia.
No Mappa geral estatístico relativo ao anno económico, de 1864-1865 figura Almancil com 400 fogos, sendo a derrama arbitrada ao pároco 200$000 reis, pé de altar e mais rendimentos paroquiaes, 130$000; derrama 70$000 reis, secretario 4$200 réis, cobrador 4$000, total da derrama 78$200 réis.
Modernamente a freguesia de S. João dos Matos d’Almancil tem progredido muito.
Ao seu actual pároco, o muito reverendo Joaquim da Cruz Guerreiro, devemos as seguintes informações:
O 1.º termo que se encontra lavrado, quando a egreja de S. João da Venda era matriz da freguezia tem a data de 22 d’Abril de 1658 sendo cura o P.e Sebastião de Faria Pessanha. Em 1849 a sede d’esta paroquia foi mudada para a egreja de S. Lourenço, sendo augmentada com parte da antiga freguezia de S. Clemente de Loulé, ficando assim denominando-se a nova freguezia: S. João Baptista e S. Lourenço de Almancil. Começou assim a denominal-a o P.e Prior d’aquelle tempo Filipe António de Brito, desde o termo 61 de 1887, porque antes do termo 61 o nome dado era S. João Baptista d’Almancil.
Pelo rol da população feita em 1904 vê-se que esta freguezia tinha então 815 fogos com 3.503 almas: 1780 do sexo masculino, 1723 do feminino.
É esta freguesia constituída por casaes, mais ou menos separados entre si, sem constituir em aldeia ou povoação. Tem a grande propriedade do Ludo, que pertenceu à família Coelho de Carvalho, de Faro, e hoje dividida entre partes, quasi todas possuídas pela família Christovão d’esta freguezia. Uma parte d’aquella propriedade pertence ao snr visconde do Cabo de Santa Maria, herdada de seu sogro Ventura Coelho de Carvalho. Tem ainda outra grande propriedade conhecida pelo Muro, formada pelos terrenos salgados, e hoje pertencente à frima Mathos e Silva de Lisboa. Outra propriedade importante, que fora possuída pelo Morgado Joaquim Filippe de Lemos Lobo Freire Pantoja – denominada o Pontal, é hoje possuída pelo filho, do mesmo nome, residente em Faro.
Dista esta freguezia da sede do concelho e comarca 8 quilometros, e 10 quilometros das sedes do districto e diocese (Faro).
A estrada mais próxima da sede da paroquia é a chamada real e tambem do littoral, n.º 78, de Faro a Sagres. Depois a que vae de Faro a Loulé, atravessando esta freguezia do sul a norte, e passa a 200 metros da sede da paroquia. Ha ainda outra camararia, que parte do sitio d’Almancil e vae entroncar na de Faro a Loulé, proximo das Azenhas. Dentro da freguezia há um ramal, feito pelos donos da Quinta do Ludo, que sae do sitio do Troto e vae terminar no sitio do Ludo; ainda mais outro ramal, a maior parte feito por particulares e sae do sitio de Almancil (estrada real n.º 78) até à Fonte Coberta, havendo tenção de a levar mais adiante por ser de grande utilidade. Finalmente outro ramal existe: que parte do sitio de Alem a entroncar na de Faro e Loulé no sitio do Eseval, atravessando a via-ferrea, que percorre esta freguezia de Nascente a Poente, com Estação Almancil Nexe, que dista 200 metros da sede da paroquia.
Ainda existe a antiga egreja de S. João da Venda, que nada tem de recomendável, embora tivesse sido sede da antiga freguezia. A actual egreja paroquial de S. Lourenço de Almancil é notável pela belleza dos azulejos magníficos de que está forrada interiormente, tanto as paredes, como abobada e zimbório, sendo o corpo da egreja, nas paredes lateraes, diidido em 3 arcos lateraes, não abertos, e onde, em boa pintura, se admiram os passos principaes da vida do Santo. Pena foi que se perpretasse o vandalismo notado por quantos visitam esta egreja, de furar dois destes arcos para lhes introduzir dois nichos, um para S. Miguel, outro para N. S. do Rosário, estragando-se um ou dois dos passos referidos. A capella-mór é de talha dourada, bem feita, e em bom estado de conservação. O altar-mór é todo de fina pedra, as suas almofadas são de alabastro preto e de varias cores, colhido ali proximo. A sacristia é forrada de azulejo até meias paredes e tem arcas de boa madeira e muito bem trabalhada em talha e gavetões puchados a argolas de bronze.
As festas principaes são a de S. Lourenço, que não tem dia certo.
Havia uma feira em dia 24 de Setembro, mas lembraram-se mudal-a e fazel-a no dia da festa; por isso vão talvez designar dia certo para a celebração da festa, que, naturalmente, se realizará quando os grandes negociantes de cortiça voltarem com os seus trabalhadores.
Passa por esta freguezia o ribeiro chamado do Almancil, que nasce em S. Braz de Alportel, e vem passar junto da egreja de S. Lourenço, e atravessando a freguezia, norte e sul, passa pela ponte antiga e atravessa a estrada real, indo desaguar, depois de passar à ponte do Ludo, mandada fazer por D. Francisco Gomes de Avelar, venerando arcebispo-bispo do Algarve, em 1810, no mar, tendo atravessado tambem a grande propriedade do Muro.
As principaes producções desta freguezia são as comuns ao Algarve: figo, amêndoa, alfarroba, azeite, cereaes e legumes, etc.
A festa principal que se costuma realizar nesta freguezia é a do seu Orago S. Lourenço. E não tem dia certo, porque se espera que os preincipaes lavradores e negociantes de cortiça e trabalhadores tenham recolhido à freguezia.
A freguezia é sadia, e apenas se notam as febres, mais ou menos indemicas, devido talvez à estagnação das aguas do ribeiro. Felizmente na actualidade está a freguezia menos sujeita a essa doença, porque se tem trabalhado na limpeza do mesmo ribeiro.
Há nesta freguezia apenas uma escola official para as crianças do sexo masculino, pois que até hoje não se tem podido conseguir a criação de uma escola official para as crianças do sexo feminino. Para atenuar este mal alguns proprietários mandam as suas filhas á escola por elles paga. Por muito tempo esteve esta escola no sitio de Almancil; actualmente essa escola está no sitio do Valle d’Egoas, que é mais populoso.
Tem esta freguezia um cemitério, que dista da matriz uns cento e concoenta metros e foi mandado construir em 1877, no tempo em que paroquiava esta freguezia o Prior Francisco de Paula Mendonça.
Confronta esta freguezia pelo nascente com a freguezia de Santa Barbara de Nexe, e Conceição de Faro, pelo sul com S. Pedro de Faro e o Oceano, poente e norte com S. Clemente de Loulé.
A freguesia actual de S. Lourenço dos Mattos d’Almancil ou S. João dos Mattos d’Almancil compõe-se de toda a antiga freguezia de S. João da Venda distribuída pelos sítios: Sitio da Igreja, Troto, Esteval, Caliços, Alem, Casas e Nave, Barro de S. João, Outeiro, Arneiro, Mata Lobos, Valle da Venda, Torre, Ludo e Muro, e dos seguintes sítios desmembrados da freguezia de Loulé: Sitio d’Almancil, comprehendendo Garrão, Galvão e Ancão; do sitio das Pereiras, comprehendendo Poço Quebrado, Monte Estaco e Areias de D. João; do sitio das Ferrarias, que comprehende Caiados, Serro d’Afar, Palmeira Benta e Vargens; do sítio de Moinhos, que comprehende Gondra e Farrobilhas; do sitio de Barreiros Vermelhos e do Valle d’Egoas, que comprehende Serro do Mocho, Monte d’Olival e Barrocal e do Vale Formoso.
Monografia do Concelho de Loulé - 1905
Francisco X. D’Ataíde de Oliveira
Evolução da população entre 1879 e 1909 (rol das confissões de Almancil)
|
Ano |
Fogos |
Total |
Homens |
Mulheres |
Crianças -7 anos |
|
1879 |
1882 |
968 |
914 |
|
|
|
1880 |
2304 |
1195 |
1109 |
431 |
|
|
1881 |
2344 |
1202 |
1142 |
409 |
|
|
1882 |
2189 |
|
|
||
|
1883 |
557 |
2247 |
1134 |
1113 |
318 |
|
1884 |
553 |
2229 |
1134 |
1095 |
261 |
|
1885 |
578 |
2211 |
1191 |
1020 |
|
|
1886 |
602 |
2243 |
1099 |
1114 |
|
|
1887 |
638 |
2268 |
1152 |
1116 |
|
|
1888 |
682 |
2720 |
1347 |
1373 |
549 |
|
1889 |
672 |
2871 |
1474 |
1397 |
600 |
|
1890 |
668 |
2911 |
1490 |
1421 |
608 |
|
1892 |
671 |
2992 |
1539 |
1453 |
620 |
|
1893 |
681 |
3002 |
1551 |
1451 |
590 |
|
1894 |
704 |
3082 |
1592 |
1490 |
691 |
|
1895 |
726 |
3170 |
1625 |
1545 |
741 |
|
1897 |
713 |
3039 |
1529 |
1510 |
762 |
|
1898 |
732 |
3148 |
1590 |
1558 |
874 |
|
1899 |
741 |
3154 |
1580 |
1574 |
823 |
|
1900 |
747 |
3393 |
1605 |
1788 |
1022 |
|
1901 |
756 |
3206 |
1644 |
1562 |
792 |
|
1902 |
789 |
3346 |
1798 |
1548 |
933 |
|
1903 |
808 |
3436 |
1750 |
1686 |
|
|
1904 |
815 |
3503 |
1780 |
1723 |
|
|
1905 |
823 |
3560 |
1815 |
1745 |
|
|
1906 |
848 |
3627 |
1840 |
1787 |
|
|
1907 |
854 |
3653 |
1847 |
1806 |
|
|
1908 |
855 |
3623 |
1835 |
1788 |
|
|
1909 |
855 |
3585 |
1790 |
1795 |
|
As referências documentais mais antigas remontam aos príncipios do século XVI (Visitação da Ordem de Santiago ao Algarve 1517-1518). Nessa época era uma simples ermida dependente da Igreja Matriz de Santa Maria de Faro.
Era assim descrita em 1517: “Ermida de uma só casa. Na capela tem um altar de pedra e barro, e sobre o altar está um frontal de pano de linho com a imagem de São João pintada. A dita capela está coberta de telha vã. E as paredes são de pedra e barro e de taipa. O arco da capela é de tijolo. As portas da capela são novas e boas.
Tinha essa capela como bens : uma vestimenta de pano da India, nova e boa, duas galhetas de estanho novas, uma caldeira de água benta pequena e seu isope, uma lâmpada de cobre, um missal para todo o ano novo e bom.
A Capela tem também o seu adro em redor dela.”
Segundo parece a ermida tinha sido construída havia muito pouco tempo pela população local, pois tudo o que tinha estava em estado de novo.
Alguns anos depois, em consequência da sua elevação a sede de freguesia, foi construído um novo templo ainda de acordo com o formulário do gótico final.
A sua estrutura quinhentista, que se mantém hoje, compõe-se de nave única, sem transepto, duas capelas colaterais e cobertura de madeira no corpo da igreja. Ao longo dos séculos XVII e XVIII sofreu diferentes remodelações.
Merece referência neste templo, um notável retábulo dos finais do século XVI, curioso exemplar da talha maneirista no Algarve.
Salientemos também a existência de um pequeno núcleo de imaginária religiosa dos séculos XVII e XVIII do qual destacamos São Luís, imagem de grande devoção popular em honra do qual se promove anualmente uma grandiosa festividade.
De referir ainda o conjunto de várias telas pintadas outrora colocadas no retábulo.
É uma igreja situada no sítio de São Lourenço, na freguesia de Almancil (Loulé). Datada de finais do séc. XVII, é devotada a Lourenço de Huesca.
Merece especial destaque o revestimento interior de toda a igreja por azulejos datados de 1730 e assinados por Policarpo de Oliveira Bernardes (importante elemento do ciclo dos mestres da azulejaria portuguesa (1695-1778) ilustrando diversos episódios da vida de S. Lourenço.
Lourenço de Huesca ou São Lourenço, foi um mártir católico e um dos sete primeiros diáconos (guardiões do tesouro da Igreja) da Igreja Cristã, sediada em Roma.
(Huesca ou Valência, Espanha, nasceu a 225? — morreu em Roma, 10 de agosto de 258)
São Lourenço era espanhol e foi levado à Roma pelo Papa Sisto II, também santo. Era uma época de muita perseguição à Igreja, mas ambos trabalhavam com destemor. O jovem, forte, bem humorado e angelical Lourenço foi feito diácono, um dos sete primeiros da Igreja em Roma. Era responsável pela administração dos bens da comunidade e distribuía esmolas.
Em 257, o imperador Valeriano, irritado com o forte crescimento da Igreja em todo império, pois tirava o povo do paganismo, sua religião, decretou captura e morte aos cristãos.
No ano seguinte Sisto II foi preso e decapitado. São Lourenço, que o acompanhou durante os quatro dias de sua prisão, queria morrer com ele. Momentos antes do martírio, com doçura e lembrando o Sacrifício Eucarístico, ele pedia: "Meu pai, para onde vais sem vosso filho? Para onde vai o Santo Padre sem o vosso diácono? Jamais oferecestes o sacrifício sem que eu vos acolitasse? Em que vos desagradei? Encontrastes em mim alguma infidelidade?"
Mas o Papa precisava dele vivo para distribuir os bens da Igreja com os pobres, pois bem sabia que breve ele também seria sacrificado: "Não te abandono, meu filho! Deus reservou-te provação maior e vitória mais brilhante, pois és jovem e forte. A velhice e a fraqueza fazem com que os carrascos tenham pena de mim. Mas daqui a três dias me seguirás."
São Lourenço cumpriu bem as ordens que recebeu: vendeu ouro, prata e os bens mais valiosos. Em seguida convocou os pobres, viúvas e órfãos e distribuiu-lhes tudo que havia arrecadado e o que não conseguiu vender.
O prefeito da cidade, ouvindo que o administrador da igreja tinha tomado tal atitude, não acreditou. Mandou que viesse até ele e exigiu que entregasse tudo para o luxo do imperador. Mas era tarde. Lourenço havia agido com rapidez, pois já esperava ansiosamente a hora de seguir também para seu martírio. Teve, entretanto, a ideia de dar uma lição ao prefeito. Pediu-lhe o prazo de um dia para juntar todos os bens valiosos de propriedade da Igreja.
No dia seguinte mandou convidar o prefeito à porta igreja para ir receber o tesouro. Lá estavam uma multidão de enfermos, surdos, cegos, paralíticos, desamparados e indigentes. E disse-lhe São Lourenço: "Eis os tesouros da Igreja: os míseros que levam com resignação a cruz de cada dia, carregam o ouro da virtude; são as almas prediletas do Senhor que valem muito mais que pedras preciosas."
O prefeito, tomado de ira, prometeu-lhe uma morte lenta e sofrida. Primeiro mandou acoitá-lo com crueldade, depois o colocou sobre a grade de assar carne. Mas São Lourenço, em serena paz, não se deixou tomar pelo medo e parecia não sentir nenhuma dor. Bem humorado, chegou a brincar discretamente com seu carrasco: "Se quiser, já pode me virar, pois este lado já está bem assado."
Santo Ambrósio disse que seu rosto brilhava mais que o fogo, e que de seu corpo saia um perfume que enebriava a todos os presentes. São Leão Magno contou assim seus últimos momentos: "As chamas não puderam vencer a caridade de Cristo; e o fogo que queimava por fora foi mais fraco do que aquele que lhe ardia por dentro."
Seu corpo carbonizado foi sepultado no cemitério de Ciríaca, em Campo Verano, na Via Tiburtina, Roma.
A conversão do imperador romano, e assim de todo Império, algumas décadas mais tarde, é atribuída à história de seu martírio, que se espalhou por toda parte, e à sua intervenção, junto com os sacrifício de São Pedro e São Paulo, que ele tanto venerava. Constantino mandou construir a primeira capela onde hoje se encontra a Igreja de São Lourenço Extramuros, a quinta Basílica Patriarcal de Roma.
Em todo o mundo cristão, existem muitas igrejas dedicadas a este santo. Geralmente, as estátuas dele apresentam uma grelha (o instrumento que lhe causou a morte) e uma Bíblia nas suas mãos.
É comemorado no dia 10 de Agosto.
Igreja de S. Lourenço
O actual edifício começou a ser construído em 1722 no local de uma arruinada ermida seiscentista que invocava São Lourenço. “O primoroso templo, não pela grandeza, mas pelo ornato, asseio e magnificiência” – (Memórias Paroquiais de 1758) foi edificado como cumprimento da promessa feita pelos moradores do local que desesperados com a falta de água imploraram o patrocínio do Santo.
A construção e ornamentação da então designada Ermida de São Lourenço dos Matos ficou a cargo da respectiva confraria que tinha como Juiz protector o Dr. Manuel de Sousa Teixeira, Vigário Geral do Bispado do Algarve.
O templo teve como modelo a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Faro. Os irmãos Manuel e Antão Borges foram os responsáveis pela campanha de obras e consecutivo programa de decoração do interior da ermida.
A partir de 1849 com a supressão da freguesia de São João Batista da Venda e criação da freguesia de Almancil, a Igreja de São Lourenço passou a ser sede de paróquia.
A Igreja de São Lourenço, classificada como Imóvel de Interesse Público pelo decreto-lei n.º 35443 de 2 de Janeiro de 1946, representa uma valiosa expressão artística do barroco no Algarve.
A Igreja Matriz de São Lourenço, a jóia Barroca do património artístico de Almancil.
(Dr.ª Susana Carrusca)
No termo de Loulé, parte central de um Algarve ruralizado, a modesta Confraria de São Lourenço dos Matos sedeada num singelo templo crescera de importância sob a influência da tradição vernácula que atribuíra ao mártir e levita São Lourenço responsabilidade nas modelações milagrosas assim qualificadas a partir de 1722. O desenvolvimento da actividade da Confraria exprime-se em cores qualificadas pela acção singular do juiz Dr. Manuel de Sousa Teixeira, Vigário Geral do Bispado, signo emblemático da Diocese do Algarve, antigo ministro da Ordem Terceira de S.ão Francisco de Faro. Teria entrevisto o referido juiz o interesse de conversão e aproveitamento da monumental devoção ao Santo em primoroso agente difusor do sistema ideológico da Reforma católica da Diocese do Algarve. Exigia-se um laudatório reconhecimento ao Santo pelas acções milagrosas dos acontecimentos ocorridos e impunha-se adequar tal fenómeno de peregrinação aos objectivos coetâneos da militante ortodoxia do Catolicismo Tridentino. Motivos oportunos para a Confraria reivindicar uma renovação estética.
A Ermida de São Lourenço dos Matos de Almancil fora edificada segundo um preconcebido programa cenográfico de arte total ou seja delineara-se a concepção de uma austera caixa arquitectónica, filiada num chão panorama arquitectónico regional, pensada propositadamente para receber talha e azulejos. Descrevemos uma experiência estilística própria de uma arquitectura de âmbito provincial que concebeu o luxuosismo do interior eclesial como condicionante de uma vernacular estrutura de modelo longitudinal. Isto ficou provado pela proximidade cronológica existente entre a campanha de obras e a decoração interior do templo, pela confirmação da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Faro como protótipo da Ermida de São Lourenço dos Matos de Almancil, pelas tradições arquitectónicas da região. Para tal se contratara os irmãos Manuel e Antão Borges, mestre de azulejos e mestre de obras, que assumira a campanha de obras e o azulejamento. Recheara-se o templo com conjuntos que sistematizam o clímax grandioso dos géneros artísticos que representam: o revestimento deleitoso da talha de Manuel Martins, o maior entalhador do Algarve durante a época barroca e a azulejaria policarpiana que testemunha o galante ciclo dos mestres da arte de azulejar barroco elucidando como num meio artístico regional se tem acesso aos grandes artistas activos nos círculos de influência de uma arte cortesã. Vimos como os azulejos do templo constituem magníficos exemplares da mão e oficina de Policarpo de Oliveira Bernardes, tendo como modelo iconográfico a pintura azulejar de Carnide de Lisboa realizada alguns anos antes.
Verificámos como todas as circunstâncias históricas apontam para a atribuição da talha de Almancil, obra anónima, ao entalhador Manuel Martins. Fora ele que fizera o retábulo da Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Faro cuja semelhança formal com o da Ermida de São Lourenço dos Matos de Almancil é por demais evidente, tal como é da sua autoria a cornija da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Faro, modelo arquitectónico do templo de Almancil.
Concretizámos uma leitura iconológico-cultural interpretativa da obra de arte. A partir da análise da iconografia verificámos como todo o interior da Ermida convida ao seguimento de um percurso orientado que tem início nos painéis de azulejo do lado da Epístola, percorre todo o espaço azulejar, retábulo, cúpula e termina na abóbada da nave. Trata-se de um espectáculo cénico de pregação inspirado exclusivamente na biografia do mártir São Lourenço e destina-se, através da enorme riqueza simbólica dos elementos iconográficos, à proclamação das proezas e verdades morais e religiosas de uma vida cristã que se pretende levar a seguir. Comprovámos como São Lourenço de Almancil não fora apenas um objecto artístico de puro deleite visual, mas operativo instrumento de propaganda religiosa pós-tridentina destinado a delectare, docere e movere como supõe o ut rethorica pictura correspondente ao barroco. Tudo se fez através de um sermão imagético que se apresentava prestes a ser descodificado. Entendemo-lo como sermão pela contiguidade que se manteve ao longo do estudo concretizado entre a prosa perenética e as artes decorativas barrocas; ambas metaforizam uma mesma mundividência barroca, ambas funcionam ao serviço de um objectivo comum, ambas recorrem ao mesmo tipo de estratégias discursivas (nomeadamente o uso do conceito predicável, o recurso permanente à simultaneidade da categoria temporal no conteúdo textual, a tentativa constante de teatralização do espaço religioso em que se manifestam, a omnipresença de um discurso retórico como objectivo da comunicação estética, entre outros).”
Dr.ª Susana Carrusca
A mais antiga referência à igreja de São Lourenço de Almancil surge em 1672 no Livro da sua freguesia (São João da Venda). A traça do templo, de nave única com altares laterais e capela-mor coberta por cúpula esférica, deverá remontar ao final do século XVII ou princípios do seguinte, uma vez que os painéis de azulejo, que revestem integralmente o templo, apresentam a data de 1730.
Se o exterior da igreja é relativamente sóbrio - alçado principal rematado por frontão triangular e pórtico de linhas rectas, ao qual se sobrepõe um janelão de frontão interrompido -, o interior vive do brilho cerâmico dos azulejos azuis e brancos, de tal forma que Santos Simões a definiu como "igreja de louça" (SIMÕES, 1949, p. 2). De facto, o revestimento é interrompido, somente, pela cantaria que define o arco triunfal, e pelo brilho dourado da cimalha que percorre o templo e do retábulo-mor, em talha dourada de Estilo Nacional.
A importância da obra fez com que o seu autor assinasse e datasse os painéis. Assim, sabemos que foram executados em 1730 por Policarpo de Oliveira Bernardes (um dos expoentes máximos do intitulado "ciclo dos Grandes Mestres"), e encomendados pelo Vigário Geral, Reverendo Doutor Manuel de Sousa Teixeira. Contudo, a autoria dos painéis das paredes da nave tem vindo a ser contestada e atribuída a um outro autor, ainda não identificado, mas próximo de Bernardes (MECO, 1989, p. 84).
Os oito painéis da nave representam cenas da vida de São Lourenço, sendo que os pilares exibem um conjunto de alegorias às Virtudes - Liberdade, Pobreza, Castidade, Obediência, Piedade, Paciência, Temor a Deus, Entendimento, Humildade, Preserverança, Justiça e Verdade, as duas últimas de dimensões superiores.
Na capela-mor encontram-se novamente cenas alusivas à vida de São Lourenço, orago da igreja. Este, foi martirizado em Roma no ano de 258, por ter ousado desafiar o imperador Décio ao não devolver o tesouro da igreja de que era diácono. Na realidade, São Lourenço distribuíra o ouro pelos pobres e nada sobrara para o Imperador, que furioso o mandou flagelar com varas, queimar as costas com um ferro quente e, por fim, estender-se sobre um manto de brasas (RÉAU, 1997, vol. 4, p.255). Na cúpula, que assenta sobre trompas onde figuram anjos com símbolos do martírio, São Lourenço é conduzido ao céu.
Estamos, pois, em presença de um programa iconográfico que articula a temática da nave com a da capela-mor, ao realçar, não apenas a vida e caridade do santo, mas também as virtudes através das quais se alcança a santidade e, por conseguinte, a vida para além da morte. Nas cúpulas, e para além da experiência adquirida noutras obras suas e de seu pai (António de Oliveira Bernardes), este pintor de azulejos tira partido dos efeitos cenográficos, que denotam o eventual recurso a tratados de cenografia e perspectiva, mais eruditos (ARRUDA, 1989, p. 25).
(Rosário Carvalho)
Na opinião de José Meco, os painéis das paredes da nave, onde se inclui esta cena do martírio de S. Lourenço, não são da autoria de Policarpo de Oliveira Bernardes. Atribui-os a um colaborador individualizado do ciclo joanino que trabalhou segundo o programa decorativo daquele mestre.
Atendendo a que o contrato notarial foi realizado no dia 16 de Novembro de 1729 e determinava que os azulejos estivessem todos assentes na Primavera seguinte de 1730, parece evidente que os irmãos Manuel e Antão Borges, profundos conhecedores do meio artístico lisboeta, adquiriram a maior parte a Policarpo de Oliveira Bernardes e a restante a outra oficina de azulejaria, eventualmente próxima daquele pintor.
Nos princípios do século XVIII a pequenina ermida tardo-medieval de S. Lourenço encontrava-se quase arruinada, já sem portas.
No dia 22 de Setembro de 1722 os moradores deste lugar encontravam-se desesperados com falta de água e quando afundavam um poço, imploraram o patrocínio do Santo, prometendo construir um novo templo. Talvez "por destino do Santo", receberam um tão grande benefício que de imediato " abriu um anel de água tão copiosa ".
A partir de então a confraria de S. Lourenço dos Matos cresceu de importância, passando a ter como Juiz Protector uma das mais altas individualidades da região algarvia, o Dr. Manuel de Sousa Teixeira, Vigário Geral do Bispado.
Com as esmolas dos fiéis começou-se a construir "um primoroso templo, não pela grandesa, mas pelo ornato, asseio e magnificência", destacando-se a utilização de valores da arquitectura vernacular compensados interiormente por uma exuberante ornamentação.
Os dois irmãos Borges, naturais de Lisboa, o Antão, mestre pedreiro, morador em Faro e o Manuel, mestre de azulejo, residente em Lisboa, devem ter assumido a construção da igreja, já com o objectivo de a revestirem de azulejaria. Estes dois artistas foram responsáveis no Algarve por diversas obras, de que se destacam em Faro, o revestimento azulejar da Igreja da Ordem 3ª de S. Francisco e a construção do coro alto da Sé.
Em Novembro de 1729 estes mestres comprometeram-se com o já referido Dr. Manuel de Sousa Teixeira a arranjar os azulejos para o novo templo e a assentá-los com a maior brevidade. Os azulejos da abóbada da nave e da capela-mor, incluindo a cúpula, foram feitos, em 1730, por Policarpo de Oliveira Bernardes. No entanto, o contrato notarial foi celebrado entre o Juiz da Confraria e os irmãos Manuel e Antão Boges, comprometendo-se estes últimos "a darem por sua conta todo o azulejo necessário para se azulejar a capela do Santo, tanto paredes como a meia laranja e assentar o dito azulejo (...) com toda a perfeição possível (...) e da melhor pintura que poder ser".
O retábulo e a restante talha deve ter sido concebida e executada, por volta de 1735, pelo melhor artista da região, o mestre Manuel Martins.
O douramento foi somente contratado, no dia 16 de Fevereiro de 1742, pelos pintores algarvios Clemente Velho de Sarre e Francisco Correia.
O terramoto de 1755 quase não se fez sentir, tendo somente caído cinco azulejos do alto da abóbada.
Nas paredes laterais deste templo há oito painéis figurativos alusivos à vida de S. Lourenço. Os dois da ousia representam o Santo a distribuir pelos pobres os bens que a Igreja lhe confiava para este fim e um milagre feito junto ao rio Tibre, em que restitui a vista a dois cegos.
Os seis painéis da nave da igreja apresentam-se por ordem cronológica, com início no lado da epístola, junto à capela-mor e prolongam-se no lado do evangelho a partir da porta.
1º - S. Lourenço dialoga com o Papa Sisto, quando este ia ser martirizado, lamentando-se de não ir com ele. O Pontífice anima-o dizendo que três dias depois seria a sua vez.
2º - O Santo é preso e acusado de possuir grandes riquezas, tratando-se contudo das esmolas que o Papa Sisto lhe mandava distribuir pelos pobres.
3º - S. Lourenço apresenta ao imperador romano, Valeriano, os tesouros da Igreja, isto é, os pobres.
4º - O Santo é intimidado a renegar a fé em Cristo e a aceitar os deuses romanos.
5º - S. Lourenço é colocado sobre uma grelha para ser queimado a fogo lento a fim de ser maior o seu suplício, esperando que ceda perante a dor.
6º - O Santo é confortado no seu martírio por um anjo de Deus, que leva a sua alma ao céu.
Os fiéis, nos meados do século XVIII, afluíam em maior quantidade à ermida de S. Lourenço na antevéspera e na véspera do dia de festa do Santo (10 de Agosto). Mais de duas ou três mil pessoas deslocavam-se em romagem "não só pela devoção de verem a S. Lourenço, como pela grandesa da sua festividade e fogo que arde na noite do Santo e além disto pelos muitos bailes e descantes da gente que ali acode".
É de realçar na cena da coroação de S. Lourenço, tema do painel central da abóbada da nave, uma técnica bem característica de Policarpo em que as "sombras e marcas mais carregadas de azul são obtidas através do cruzamento perceptível de pinceladas distintas" (José Meco).
A decoração da sacristia fez também parte da remodelação realizada neste templo no 2° quartel do século XVIII. As paredes foram revestidas com um grande rodapé de azulejos com motivos ornamentais barrocos: folhagem de acanto, albarradas, etc..
Na parte central foi colocado o mais interessante arcaz barroco de toda a região algarvia, sobressaindo a ornamentação em talha das portas, dos gavetões e do espaldar. Este último abrigava a imagem procissional do padroeiro.
Tal como a talha da igreja, o arcaz e a imagem procissional de S. Lourenço devem ter sido feitos pelo mestre entalhador e escultor farense Manuel Martins.
S. Lourenço
Localização: Rua da Igreja, Almancil, Loulé 37° 4' 56.07" N 8° 0' 32.36" W
Festas: São Lourenço (fim de semana de Agosto mais próximo do dia 10); São Luís (primeira semana de Fevereiro), no sítio de S. João da Venda
Visitas: De Segunda . 15:00 às 17:00
Terça a Sábado das 10:00 às 13:00 e das 15:00 às 17:00 (Hora de Inverno) 18:30. (Hora de Verão) – A visita é paga
Caro amigo!
O que é a Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP)?
Fundada em 1833 por um grupo de jovens leigos a Sociedade de São Vicente de Paulo é uma organização católica de leigos voluntários, homens e mulheres, dedicada a oferecer assistência pessoal para aqueles que tem necessidade. A base do seu trabalho é a interação direta e pessoal com aqueles que estão em necessidade e suas famílias, independentemente de sua origem ou crenças. Visitam-nos no seu próprio ambiente, seja em casa, em uma residência, hospital, em seus abrigos, nas ruas ou na prisão.
O que é uma "conferência"?
A unidade básica da organização é um grupo de cerca de quinze membros pertencentes a uma "Conferência de São Vicente de Paulo". Eles ocorrem com frequência, a cada uma ou duas vezes por semana para organizar e discutir seu trabalho com os pobres de sua comunidade local. Geralmente, as conferências estão relacionados com paróquias católicas. Eles compartilham em cada conferência uma vida espiritual rica.
Em todo o mundo, existem cerca de 51.000 conferências com mais de 700.000 membros. São apoiados, por exemplo, no trabalho social dedicado a crianças e idosos em centros de saúde e escolas, com mais de 1,5 milhões de voluntários em 142 países, onde a SSVP está presente.
O que é o Conselho Geral da Sociedade de São Vicente de Paulo?
O Conselho Geral da Sociedade de São Vicente de Paulo é a mais alta autoridade da Companhia internacionalmente. Desde a sua fundação em 1833, está localizado em Paris.
A sua missão principal é apoiar o trabalho das conferências em todo o mundo, tais como - em sua capacidade financeira - por apoiar financeiramente o seu trabalho social importante. O Conselho Geral é o elo entre os países pobres e os países ricos, onde a empresa está presente para incentivar a transferência de saberes, bem como apoio financeiro, controlando precisamente o uso desses fundos.
A Sociedade de São Vicente de Paulo, nas Nações Unidas
Em março de 2012, a SSV foi admitida como uma Organização Não Governamental no (Conselho Económico e Social da Organização das Nações Unidas) ECOSOC. Este estatuto consultivo permite a ONG's como a nossa, não só o acesso ao ECOSOC, mas também muitos dos seus órgãos subsidiários, os vários mecanismos de Direitos Humanos das Nações Unidas, e nos dá a possibilidade de participar de conferências internacionais, tais como aqueles sobre temas como desenvolvimento económico e social, questões de género, desenvolvimento sustentável, organizado pelas Nações Unidas.
CATEQUESE DE ADULTOS PARA QUÊ, se ontem não existia?
- para que lhes seja garantido o direito a uma fé adulta;
- para que descubram a sua verdadeira identidade cristã;
- para que a catequese das crianças seja mais eficaz, pelo envolvimento de uma comunidade cristã adulta;
- para que assumam a sua missão de evangelizadores;
- para que participem de uma forma responsável na edificação da Igreja;
- para que, no contexto do mundo de hoje, tenham bem claro o que é ou não é importante na sua fé.
A QUEM SE DESTINA?
- a todos os adultos, com mais de 18 anos, que não tiveram uma iniciação na fé cristã;
- àqueles que apenas tiveram uma catequese infantil e, por isso, apenas receberam respostas adaptadas à sua mentalidade de criança, faltando-lhes respostas para as suas questões de adultos;
- a todos os cristãos que ainda não fizeram este tipo de aprofundamento da sua fé, com vista a uma estruturação da mesma.
COMO É ESTA CATEQUESE?
- Oferece uma síntese doutrinal, coerente, sistemática e organizada do conjunto da fé cristã, fazendo ao mesmo tempo uma experiência da Igreja como comunidade (vida de equipa e inserção na comunidade cristã); experiência de oração e da relação viva entre a Palavra de Deus e a vida quotidiana.
QUANTO TEMPO?
- Tem a duração de dois a três anos, em reuniões quinzenais em dia e horário a combinar.
PARA MAIS INFORMAÇÕES CONTACTAR A PARÓQUIA
“Deixai as crianças e não as impeçais de vir ter comigo, pois delas é o Reino do Céu” (Mt 19, 14)
Sendo a catequese um caminho progressivo de amadurecimento da fé, acompanhando o cristão na marca da sua vida, de modo que este cresça harmoniosamente em todas as dimensões, há na nossa paróquia diversas fases de catequese, atendendo às idades e circunstâncias dos vários sectores a formar e a evangelizar.
O programa de Catequese da Infância e Adolescência, aprovado pela Conferência Episcopal Portuguesa, em Abril de 1988, compreende cinco fases bienais que culminam e terminam com celebrações festivas profundamente vinculadas ao caminho da fé percorrido em cada fase. A relação entre as diversas fases faz-se em espiral: O Mistério Cristão é desenvolvido gradualmente de acordo com as características e capacidades próprias dos catequizandos.
Catequese da Infância
Nos primeiros anos de vida, a relação que a criança adquire com Deus depende profundamente do ambiente que a rodeia. Nesta fase etária, a família tem um papel de extrema importância a desempenhar: a sua fé, a firmeza do seu comportamento, a sua vida de oração, na qual a criança deve participar, constituem o terreno em que fica a semente da qual desabrochará mais tarde a sua fé.
As famílias que trazem os seus filhos à catequese começam a entender que o fazem porque DEUS é importante para a sua vida. Daí a importância dos pais, catequistas e pároco, sobretudo como testemunhos de vida, com a oração em comum e a Eucaristia dominical.
O sucesso, a felicidade e o bem-estar das nossas crianças estão intimamente relacionados com tudo isto. Vale sempre a pena o esforço que fazemos pelos nossos filhos!
Com o início da catequese temos a primeira etapa que se denomina:
Inserção na Comunidade
É uma fase de acolhimento por parte de toda a Comunidade Cristã, que visa a progressiva inserção na vida da fé da Igreja. Esta primeira etapa catequética compreende os seguintes anos:
1.º Ano – Jesus gosta de mim
Festa: Acolhimento
2.º Ano – Ensina-nos a rezar
Festa: Pai Nosso
3.º Ano – Em Ti, vivemos
Festa: Palavra
À segunda etapa damos o nome de:
A Vida da Fé
Esta etapa é dedicada à primeira síntese da Fé cristã. Ser Cristão é seguir Jesus e viver à maneira da comunhão trinitária. Esta segunda etapa catequética compreende os seguintes anos:
4.º Ano – Ao encontro … de Jesus
Festa: Eucaristia (Primeira Comunhão)
5.º Ano – À descoberta … do pai
Festa: Credo
6.º Ano – Na força… do espírito
Festa: (Profissão de) Fé
Estas primeiras duas etapas constituem a chamada catequese para a Infância.
Na nossa Paróquia a catequese funciona ao Sábado das 16:00 às 17:00 e ao Domingo das 10h30 às 11h30 seguido pela Eucaristia dominical na Igreja Paroquial Nossa Senhora de Fátima em Almancil.
O SACRAMENTO DOS DOENTES
A Unção dos doentes mostra claramente a solicitude corporal e espiritual do Senhor para com os doentes. A pessoa que está doente necessita de uma peculiar Graça de Deus para que não perca o ânimo na aflição, nem venha a fraquejar na fé, pela falta de confiança no Senhor. (Introdução ao Ritual, nº5).
Recebendo o Sacramento dos doentes, o enfermo pode suportar melhor, com mais fortaleza, os males que o afligem, e pode vencê-los obtendo a saúde do corpo e renovando-se na sua espiritualidade. Este Sacramento, pela oração feita sobre o doente e com o doente confere se necessário o perdão dos pecados e a consumação da Penitência cristã. (Introd. ao Ritual nº 6)
Por tudo isso, através da Unção dos Doentes, pede-se ao Senhor que o cristão regresse às suas normais actividades, às suas anteriores ocupações, uma vez que se pede a cura de toda a fraqueza, o sarar de todas as feridas, o alívio de todas as dores da alma e do corpo, o perdão de todos os pecados. (oração depois da unção, nº 77).
Uma força especial e um conforto para viver, e, se for essa a vontade de Deus, uma melhora do estado de saúde. Mesmo quando não há melhoria do estado de saúde, este sacramento permite experimentar a paz e a coragem para suportar os sofrimentos da doença e da idade avançada com uma graça de força, de perdão e de purificação.
Como preparar?
Para receber qualquer sacramento o cristão deve estar em estado de graça, sem consciência de culpa grave.
Deve rezar e pedir a Deus que o ajude a conformar-se com a Sua vontade Santa.
Deve contemplar Cristo crucificado e pedir-lhe a graça de se identificar com a sua paixão gloriosa e de contribuir assim para o crescimento espiritual da Igreja.
Não deve receber este sacramento esperando uma cura milagrosa. O fruto principal do sacramento é a graça da pacificação e do alívio espiritual e corporal das dores. Se for a vontade de Deus e se contribuir para o bem da Igreja, o doente experimentará também as melhorias significativas.
O Sacramento da Santa Unção é celebrado sempre que nos for pedido. Basta contactar o Acolhimento Paroquial.
O que é necessário fazer para celebrar o Sacramento do Matrimónio?
Em primeiro lugar, supõe-se que os noivos saibam o que significa e que desejem casar e viver o seu casamento como vivência do Baptismo e de acordo com o que a Igreja propõe.
1. Para que tudo corra como os noivos desejam nesse dia único das suas vidas devem marcar em primeiro lugar a celebração na Igreja com a antecedência necessária.
2.Devem tratar do processo civil na Conservatória do Registo Civil, com a devida antecedência, e informar que se vão casar na Igreja.
3. Ao mesmo tempo e com um mínimo de três meses antes, devem dirigir-se à paróquia de residência para iniciar o processo Canónico. Como documentos devem levar a certidão de baptismo e certidão de nascimento. Conforme caso particular podem ser requeridos outros documentos.
4. Faz parte do processo canónico também um pequeno diálogo com o pároco ou com outro sacerdote ou diácono.
5. Na paróquia onde se realizará o casamento devem fazer chegar a certidão da Conservatória do Registo Civil autorizando o casamento civil, o Certificado que vem da Cúria diocesana do Algarve autorizando o casamento religioso e fotocopias dos documentos de identificação das testemunhas (chamados padrinhos) bem como a sua morada de residência. – As testemunhas têm que ter mais de 18 anos.
É conveniente aos noivos preparem-se para o Matrimónio Católico com uma formação específica para este Sacramento. Na Paróquia essa preparação é animada pela Equipa dos CPM – grupo de casais com uma vida de fé comprometida e com preparação adequada quer ao nível da pastoral quer das disciplinas de ciências humanas e realiza-se habitualmente em Loulé no Centro Paroquial.
O perdão e a reconciliação são sinais de amor! Quando ferimos ou somos feridos por alguém que amamos verdadeiramente, não nos sentimos impacientes por nos reconciliarmos com ele? Não esperamos ansiosamente por ouvir dizer que nos perdoa ou, no caso de sermos nós os autores da ofensa, de lhe pedir perdão e de dizer que o amor e a confiança continuam? Até podemos estar convencidos, mesmo sem nada dizer ou sem nada fazer, que o amor entre vós permanece, mas como são reconfortantes as palavras ou os gestos de cumplicidade ou de ternura que vão confirmar o perdão!
Deus é Amor e como é de amor que se trata quando nos referimos ao perdão dos pecados, acontece o mesmo quando ferimos o Amor de Deus. É verdade que Deus nos perdoa sempre que desejamos o seu perdão; é verdade que Ele não tem necessidade de passar por um homem para nos perdoar… somos nós que temos necessidade dum gesto concreto, duma palavra pronunciada pelo ministro da Igreja que nos restaure na alegria e na confiança reencontrada. Este gesto, esta palavra, é o sacramento da reconciliação (ou da penitência, ou do perdão dos pecados, ou a confissão, segundo as palavras que se escolhem).
“O Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados” – Jesus disse ao paralítico: “Homem, os teus pecados estão perdoados”. Os escribas e os fariseus começaram a murmurar, dizendo: “Quem é Este que diz blasfémias? Ninguém pode perdoar os pecados, senão Deus somente”. Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse-lhes: “(…) o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados”. (Lc 5, 20-22.24).
“Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados” – Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando aos discípulos em casa com as portas fechadas (…) soprou sobre eles, e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes ser-lhe-ão retidos” (Jo 20, 19.22-23).
“Se confessarmos os nossos pecados. Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados” – Se dissermos que não temos pecados, enganamo-nos a nós mesmos e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele que é fiel e justo para nos purificar de toda a iniquidade (…). Filhinhos meus, escrevo-vos estas coisas para que não pequeis; mas, se alguém pecou, temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 1, 8-9; 2,1).
“Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não precisam de se arrepender” (Lc 15, 7).
Normalmente começa-se por preparar a confissão fazendo o exame de consciência e pensando nos pecados que cometemos. Mas é necessário, anteriormente, colocar-se diante de Deus, da Sua Palavra, lendo uma passagem da Escritura. A escuta da Palavra, revelando-nos a misericórdia de Deus, descobre e ilumina, ao mesmo tempo, o nosso próprio pecado.
Mas o exame de consciência é apenas a primeira etapa. Preparar-se para o perdão de Deus implica a contrição, isto é, reconhecer com humildade que o pecado fere a minha relação com Deus e a minha própria dignidade. É também preparar-se, com os meios que a Igreja coloca à nossa disposição, para vencer as tentações, para tomar resoluções concretas que visem a conversão, a vida nova prometida e oferecida pela Páscoa de Jesus Cristo.
Muitas vezes somos desencorajados a pedir o perdão de Deus porque nos conhecemos e sabemos que, mais tarde ou mais cedo, voltaremos a cair no mesmo pecado. É verdade que a confissão não nos garante a conversão automática, mas este sacramento coloca-nos na humildade diante de Deus que nos ama apesar da nossa fraqueza e é por isso que este encontro se torna essencial. O sacramento da reconciliação dá-nos também uma graça especial, uma força de Deus, para nos curar das nossas fraquezas e traz um impulso á nossa caminhada cristã e é por isso que, reconhecendo-nos pecadores e fracos, sentimos a paz e a alegria depois da confissão – experimentamos como Deus é misericordioso e não desiste nunca de nós.
Depois de fazer o exame de consciência, dirijo-me ao sacerdote e confesso os meus pecados. Depois, escuto com atenção e humildade os seus conselhos e exprimo o meu arrependimento e propósito de reparação rezando o Acto de Contrição. Finalmente, o sacerdote dá-me a absolvição. Saindo do confessionário, cumpro o mais brevemente possível a obra de reparação (penitência) que me foi imposta. Se se trata de alguma oração que devo rezar, faço-o antes de me retirar da Igreja.
Existe muitas propostas, aqui está uma dela:
I – Há quanto tempo me confessei?
Disse ao confessor todos os meus pecados graves, ou deixei por dizer algum de que me lembrava, por medo ou vergonha?
II – Examino o cumprimento das minhas obrigações para com Deus.
Faltei à Missa algum Domingo ou Dia Santo de guarda por culpa própria? Quantas vezes? Deixei algum dia de rezar? Recebi algum sacramento sem estar na graça de Deus?
Alguma vez neguei a fé verdadeira, chegando a afirmar-me ateu ou agnóstico? Tive vergonha de manifestar a minha fé? Se alguma omissão me parece mais grave, contá-la-ei ao sacerdote.
Pratiquei ou aconselhei algum acto de superstição, de bruxaria, ou outras práticas não aconselhadas pela Igreja? Assisti a alguma reunião de espiritismo, culto de seitas, ou outras manifestações de falsas religiões, procurando noutro lugar a salvação que só Jesus Cristo pode dar através da Santa Igreja e dos Sacramentos? Cheguei a considerar-me membro de outra comunidade, cristã ou não cristã, cometendo assim o pecado de cisma, heresia ou apostasia?
Procurei aprofundar a minha pertença à Igreja, participando das actividades paroquiais ou de algum movimento de obra apostólica? Procurei a formação cristã e a catequese adequada à minha idade e formação? Ou pelo contrário tenho-me afastado da vida da comunidade cristã, vivendo a minha religião de uma forma individualista, sem me preocupar com o crescimento da minha fé cristã?
Contribui para as necessidades da Igreja com as esmolas justas e possíveis? Cumpri as minhas promessas e votos? Guardei o jejum e a abstinência prescritos pela Igreja?
III – Faltei à justiça ou à caridade com o próximo?
Como filho, cumpri os meus deveres de amor, respeito, gratidão e obediência justa para com os meus pais, e sendo necessário, de ajuda e amparo? Como marido ou esposa, guardei a fidelidade no matrimónio e cumpri com as minhas obrigações de ajuda mútua, diálogo e partilha de vida do casamento? Como pai ou mãe, educo ou eduquei os filhos com amor e firmeza na obediência à lei de Deus e na pertença à Igreja? Respeitei os superiores, temporais e espirituais?
Cometi alguma falta contra os direitos sagrados da vida: homicídio, aborto, eutanásia, violência contra os outros, suicídio tentado ou planeado, uso de drogas, abuso de álcool, condução imprudente, riscos desnecessários e excessos tomados por aventurismo ou fanfarronice, ou qualquer acção que represente a violação do quinto mandamento da Lei de Deus?
Guardei a castidade? Consenti em maus pensamentos? Participei em conversas indecentes? Pratiquei alguma acção grave contra a castidade (masturbação, relações sexuais fora do casamento, leitura, audição ou visionamento de material pornográfico, práticas homossexuais)? No namoro, tenho pedido a ajuda da graça de Deus para levar por diante um relacionamento puro? No casamento, peço a ajuda da graça de Deus para ser fiel e obediente aos ensinamentos da Igreja sobre a regulação dos nascimentos?
Apropriei-me indevidamente de algo que não me pertence? Fui cumpridor no pagamento das dívidas? Devolvi as coisas emprestadas, ferramentas, utensílios, roupas, livros, etc.? trato de maneira honesta e responsável a questão dos meus impostos? Danifiquei com culpa ou tratei com desleixo os bens alheios ou comuns? Tenho sido cumpridor dos meus deveres profissionais, trabalhando esforçadamente e obedecendo às indicações legítimas dos meus superiores? Se sou dador de trabalho ou dirigente, tenho sido justo com os meus subordinados, tratando-os com respeito e pagando-lhes o justo salário? Como estudante, cumpro as minhas obrigações, estudando com afinco e prestando provas com honestidade ou tenho “cabulado”?
Falei sempre a verdade? Prestei falso testemunho em juízo? Enganei os outros, prejudicando-os? Caluniei alguém? Ou, mesmo que não mentindo, disse mal de alguém sem verdadeira necessidade?
Qualquer cristão que deseje receber o Sacramento da Reconciliação pode vir nos horários indicados ou pedir no Acolhimento para falar com um Sacerdote:
Com a presença renovada do Espírito Santo, o sacramento da Confirmação é o sinal de Deus que mergulha o cristão na plenitude do seu mistério. É um auxílio de Deus que permite ao homem novo descobrir o seu lugar na Igreja, a ser mais fortemente testemunha do Evangelho e a entrar plenamente na missão a que o Pai o chama.
A palavra “confirmação” não significa que o baptismo precise ser confirmado, ele é definitivo. (Durante alguns tempos surgiu um equívoco que se prende com o baptismo das crianças. Dado que no baptismo seriam os pais a renunciar ao pecado e a professar a fé cristã, a confirmação seria uma tomada de posição do adolescente/jovem que agora estaria preparado para professar a fé). No latim tardio confirmare tomou o sentido atenuado de completar: este complemento do baptismo pelo rito da imposição das mãos e a unção com o santo Crisma, exprime a acção do Espírito Santo na vida do cristão e da Igreja.
O Sacramento do Crisma é recebido no decurso normal da catequese de infância e adolescência, normalmente no final do 10º ano. No caso dos adultos, é recebido após um período prévio de catecumenato, destinada exclusivamente àqueles adultos que ainda não celebraram o sacramento do Crisma e que o querem fazer. O início destas catequeses inicia-se, normalmente, em Janeiro.
Sobretudo nas pessoas mais idosas subsiste a dúvida quanto à sua confirmação. Há alguns anos a catequese não estava organizada e sistematizada como hoje, e o pároco, aquando da visita pastoral do Bispo, preparava as crianças e os jovens para este sacramento. Também há muitas confusões entre a chamada comunhão solene e o sacramento do Crisma. Por isso, a primeira coisa a fazer é contactar a paróquia onde foi baptizado e pedir para ver no assento de baptismo se está averbado o Crisma. Caso não esteja é um indício forte de que não foi crismado.
No caso de não ter sido crismado, poderá contactar os serviços da Paróquia e inscrever-se na preparação para receber este sacramento.
O que vai ser crismado, deve ser assistido por um padrinho ou madrinha, cuja tarefa é procurar que cumpra fielmente as obrigações inerentes a este Sacramento. Lembramos que não pode ser o pai ou mãe e que tem de ser crismado.
Contacte o Acolhimento Paroquial, para iniciar o processo.
EUCARISTIA
A celebração da Eucaristia é o centro de toda a vida cristã, tanto para a Igreja universal como para as comunidades locais da mesma Igreja. Com efeito, «os outros sacramentos, como todos os ministérios eclesiásticos e as obras de apostolado, estão ligados à santíssima Eucaristia e a ela se ordenam. Efetivamente, na santíssima Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, que é o próprio Cristo, nossa Páscoa e pão vivo, que, pela sua carne vivificada e vivificadora sob a ação do Espírito Santo, dá a vida aos homens, os quais são assim convidados e levados a oferecerem-se juntamente com Ele, a si mesmos, os seus trabalhos e toda a criação».
Além disso, «a celebração da Eucaristia no sacrifício da Missa é verdadeiramente a origem e o fim do culto que à mesma Eucaristia se presta fora da Missa». De facto, Cristo nosso Senhor, que «é imolado no sacrifício da Missa quando começa a estar presente sacramentalmente como alimento espiritual dos fiéis sob as espécies do pão e do vinho», também, «depois de oferecido o sacrifício, enquanto se conserva a Eucaristia nas igrejas ou oratórios, é verdadeiro Emanuel, isto é, «Deus connosco». Com efeito, de dia e de noite Ele está no meio de nós e habita em nós «cheio de graça e de verdade».
O fim primário e primitivo da Reserva eucarística fora da Missa é a administração do Viático; os fins secundários são a distribuição da comunhão e a adoração de nosso Senhor Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento.
Com efeito, a conservação das sagradas espécies para os enfermos deu origem ao louvável costume de adorar este alimento do céu que se guarda nos nossos templos. E este culto de adoração funda-se numa razão válida e segura, sobretudo porque a fé na presença real do Senhor leva naturalmente à manifestação externa e pública dessa mesma fé.
Na celebração da Missa, os modos principais da presença de Cristo na Igreja manifestam-se gradualmente: primeiro, enquanto está presente na própria comunidade dos fiéis reunidos em seu nome; depois, na sua palavra, quando na igreja se lê e se explica a Escritura; igualmente na pessoa do ministro; e por fim e de modo eminente, debaixo das espécies eucarísticas. Com efeito, no Sacramento da Eucaristia está presente, de maneira absolutamente singular, Cristo todo inteiro, Deus e homem, substancialmente e sem interrupção. Esta presença de Cristo debaixo das espécies «chama-se real por excelência, não por exclusão, como se as outras não fossem também reais».
A participação mais perfeita na celebração eucarística é a comunhão sacramental recebida dentro da Missa. Isto aparece mais claramente em razão do sinal, quando os fiéis recebem o corpo do Senhor no próprio sacrifício, depois da comunhão do sacerdote. Por isso, em qualquer celebração eucarística deve consagrar-se, de ordinário, pão recente para a comunhão dos fiéis.
Devem levar-se os fiéis a comungar na própria celebração eucarística. No entanto, até convém que os fiéis que não podem estar presentes na celebração eucarística da comunidade, se alimentem frequentemente da Eucaristia, e assim se sintam unidos não só ao sacrifício do Senhor, mas também à mesma comunidade, e apoiados pela caridade dos irmãos.
Procurem os pastores de almas que se facilite a comunhão aos enfermos e às pessoas de idade avançada, embora não estejam gravemente doentes, nem seja iminente o perigo de morte; e isto não só com frequência, mas até, na medida do possível, todos os dias, particularmente no tempo pascal.
É ao sacerdote e ao diácono que pertence, em primeiro lugar, administrar a comunhão aos fiéis que a pedirem. Convém, pois, absolutamente, que dediquem a este ministério para que foram ordenados, uma parte conveniente de tempo, segundo a necessidade dos fiéis.
Também ao acólito, devidamente instituído, enquanto ministro extraordinário, pertence distribuir a sagrada comunhão todas as vezes que faltar um presbítero ou um diácono, ou que estes estiverem impedidos pela doença, pela idade avançada ou pelo ministério pastoral, ou quando o número dos fiéis, que se aproximam da sagrada mesa, for de tal modo elevado que a celebração da Missa ou de outra acção sagrada se prolongaria demasiado.
O Bispo pode dar a faculdade de distribuir a sagrada comunhão a outros ministros extraordinários, quando parecer necessário para a utilidade pastoral dos fiéis, e não estiver disponível nenhum sacerdote, diácono ou acólito.
A Eucaristia, que actualiza continuamente o mistério pascal de Cristo entre os homens, é a fonte de toda a graça e da remissão dos pecados. Contudo, os que tencionam receber o Corpo do Senhor, para alcançarem os frutos do sacramento pascal, devem aproximar-se dele de consciência pura e com as devidas disposições de espírito.
Por isso, a Igreja preceitua «que ninguém consciente de pecado mortal, por mais que se julgue arrependido, se deve aproximar da santíssima Eucaristia sem antes ter feito a confissão sacramental».
Os que vão comungar abstenham-se de alimentos e bebidas, excepto água ou remédios, pelo espaço de ao menos uma hora antes de receberem o Sacramento.
As pessoas de idade provecta e as que padecem de alguma doença, e ainda quem as trata, podem receber a santíssima Eucaristia, mesmo que dentro da hora anterior tenham tomado alguma coisa.
Horário das Missas
Na Paróquia de Almancil, são celebradas as seguintes Missas:
Domingo
17.30 - Igreja Nossa Senhora de Fátima
Sábado
17:30 - Igreja Nossa Senhora de Fátima
Para qualquer informação, dirija-se ao acolhimento paroquial nos horários de funcionamento.
Quando uma criança vem ao mundo, é um grande alegria para toda a família e em especial os seus pais. A criança é amada desde a sua concepção e, normalmente, a partir do anúncio da gravidez, tudo é preparado para que a vida deste novo ser seja bela e fecunda. O seu lugar no seio da família é preparado desde logo porque, em escassos meses, ela já está em casa e concentra a atenção de todos.
Os pais irão transmitir-lhe, pouco a pouco, o que julgam ser o melhor, o que lhes parece necessário à felicidade. Na verdade, os pais têm uma grande responsabilidade na transmissão dos valores fundamentais, em particular, ensinam os filhos a amar a vida e a compreender que ela não é feita somente de coisas materiais – o sacramento do Baptismo situa-se exactamente nesta perspectiva.
Não há dúvida que o primeiro passo tem uma importância fundamental. Mas o primeiro passo perde todo o seu sentido se não for acompanhado de uma longa caminhada. O Baptismo celebra a entrada na Igreja, na família dos cristãos e, por isso mesmo, é indispensável que o desejo dos pais que apresentam o seu filho ao baptismo seja sincero, de tal modo que permitam ao seu filho avançar mais longe e, tanto quanto possível, que o acompanhem. Com o auxílio dos padrinhos e da comunidade cristã, eles poderão palmilhar este caminho admirável que lhes proporcionará o encontro com o Deus vivo e verdadeiro.
A fé, o baptismo, a vida eterna.
Baptismo quer dizer “mergulho” e por isso nós compreendemos facilmente que se trata de um compromisso, de uma iniciativa de Deus que não quer outra coisa senão o bem dos seus filhos. O baptismo não é um rito mágico; as crianças não terão mais sorte nem escaparão às contingências da existência humana pelo facto de serem baptizadas. O Baptismo é um sacramento, isto é, uma iniciativa de Deus, um projecto de Deus, que procura o acolhimento do homem para se realizar plenamente. O baptismo é como uma semente introduzida no coração do homem – se essa semente nunca for cuidada, como poderá nascer uma árvore frondosa? Como poderá dar frutos?
A Igreja, no projecto de Deus para a humanidade, é o lugar da escuta e do crescimento na fé, é a reunião dos filhos de Deus que são chamados a celebrar o louvor de Deus na Eucaristia e nos outros sacramentos. Na Igreja aprendemos a escutar o Evangelho e a realizá-lo na nossa vida e, por isso mesmo, viver na Igreja é a garantia de que essa semente do baptismo dará muito fruto e nos proporcionará a vida eterna, esse dom de Deus marcado com o selo da sua misericórdia e bondade.
O baptismo é muitas vezes vivido como uma festa da família: celebra o nascimento de um bebé, é um acontecimento que reúne as pessoas da família e os amigos, que muitas vezes proporciona alguns reencontros. O baptismo é ocasião de dar ao seu filho um padrinho e uma madrinha que terão com ele uma relação mais íntima e exprime ainda a vontade dos pais de seguirem a tradição familiar de educar o filho, fazendo-o partilhar dos seus valores e dos seus princípios morais – no fundo, querem transmitir-lhe aquilo que receberam.
Mas o Baptismo traz-nos muito mais. Ele não é, em primeiro lugar, uma festa da família, é uma celebração eclesial que nos faz entrar na comunidade cristã, na Igreja. Esta celebração tem um significado espiritual e evangélico duma grande riqueza – o Baptismo une-nos a Cristo, faz-nos participar da sua morte e ressurreição e purifica-nos do pecado. Dá-nos o Espírito Santo que traz o Amor aos nossos corações, torna-nos plenamente filhos de Deus e faz-nos assim entrar na família de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo.
O Baptismo porta da vida e do reino de Deus, é o primeiro sacramento da Nova Lei que Cristo confiou à Igreja quando disse aos apóstolos: “Ide e ensinai todos os povos, baptizando-os…” (Mt. 28, 19).
O Baptismo é o sacramento pelo qual os indivíduos se tornam membros do Corpo de Cristo que é a Igreja.
É o banho da regeneração dos filhos de Deus, que liberta de toda a culpa;
É o sacramento da fé, da adesão incondicional à pessoa de Cristo;
É o sacramento do testemunho que compromete no anúncio do Evangelho pela vida e pela palavra oportuna;
É o sacramento da comunidade de fé, de esperança e de serviço.
A escolha do padrinho e da madrinha é, habitualmente, inspirada por motivo de estima ou por laços de parentesco ou amizade, independentemente da sua fé cristã.
O código de direito canónico que rege a Igreja diz:
Cânone 872 – Dê-se, quanto possível, ao baptizando um padrinho, cuja missão é assistir na sua iniciação cristã, e, conjuntamente com os pais, apresentar ao baptismo a criança a baptizar e esforçar-se por que o baptizado viva uma vida cristã consentânea com o baptismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes.
Cânone 873 – Haja um só padrinho ou uma só madrinha, ou então um padrinho e uma madrinha.
Cânone 874 - §1. Para alguém poder assumir o múnus de padrinho requer-se que:
1.º seja designado pelo próprio baptizando ou pelos seus pais ou por quem faz as vezes destes ou, na falta deles, pelo pároco ou ministro, e possua aptidão e intenção de desempenhar este múnus;
2.º tenha completado dezasseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou ao pároco ou ao ministro por justa causa pareça dever admitir-se excepção;
3.º seja católico, confirmado e já tenha recebido a santíssima Eucaristia, e leve uma vida consentânea com a fé e o múnus que vai desempenhar;
4.º não seja abrangido por nenhuma pena canónica legitimamente aplicada ou declarada;
5.º não seja o pai ou a mãe do baptizando.
§2. O baptizado pertencente a uma comunidade eclesial não católica (protestantes ou ortodoxos) só se admita juntamente com um padrinho católico e apenas como testemunha do baptismo.
CRIANÇAS até à idade de 4 anos (incluídos)
Para a realização do Baptismo de bebés, os pais devem dirigir-se ao acolhimento paroquial para a marcação de uma reunião com pároco, na qual serão fixados:
- O dia do Baptismo
- Uma reunião de Pais e Padrinhos. Nesta reunião será entregue o pedido de baptismo e o compromisso de educação cristã que deverá ser assinado pelos Pais.
Os Pais deverão apresentar:
- Cópia do assento de nascimento da criança
- Cópia do Bilhete de Identidade dos Pais e Padrinhos.
Os padrinhos deverão apresentar uma certidão de baptismo, e se não residem na freguesia de Almancil deverão também apresentar uma atestação de idoneidade a pedir na paróquia de residência.
CRIANÇAS a partir dos 7 anos.
As crianças em idade escolar, são preparadas através da catequese.
Os padrinhos deverão apresentar os mesmos documentos previstos para os baptismos de bebés.
ADULTOS
Quando um adulto desejar receber o baptismo, deve contactar a Equipa de catequese de Adultos para iniciar um tempo de preparação.
1. Acolhimento – a celebração começa com o acolhimento do celebrante aos pais e padrinhos, através de um diálogo com eles sobre o nome escolhido para a criança e sobre a vontade de baptizar o seu filho. Depois, todos eles fazem o sinal da cruz na fronte da criança.
2. Liturgia da Palavra – em primeiro lugar, proclama-se a Palavra de Deus para avivar a fé nos pais, padrinhos e demais familiares.
3. Celebração do Sacramento – em primeiro lugar, com as Ladainhas, pedimos a intercessão da Virgem Maria e dos Santos para aquela criança e terminamos com uma oração que pede a Deus que afaste a criança do mal e do pecado. Depois os padrinhos renunciam ao mal e professam a fé comprometendo-se a educar a criança na vida cristã. E eis que chegamos ao momento central: o celebrante abençoa a água e derrama-a na cabeça da criança (ou mergulha-a na piscina baptismal), significando assim o seu nascimento para a nova vida, a vida de Cristo ressuscitado. A seguir, unge a criança com o santo crisma, o azeite perfumado e consagrado pelo Bispo que significa como a vida nova de Jesus Cristo a deve impregnar totalmente, para que viva sempre como ele viveu. E, finalmente a entrega da vela acesa aos pais e padrinhos, que simboliza a luz de Cristo presente nas nossas vidas.
4. Conclusão – concluídos os ritos baptismais, todos juntos recitam o Pai Nosso, a oração que nos identifica como cristãos, onde nos reconhecemos como filhos de Deus ao chamar-lhe Pai. A celebração termina com a bênção da mãe, que leva o seu filho ao colo, do pai e de todos os presentes.
Párocos de Almancil
Paróquia sediada em São João da Venda
22/04/1658 Sebastião de Faria Pessanha
1729 - 1731 António Guerreiro
1731 - 1734 Manuel de Sousa Teixeira
1734 - 1742 Joseph Caetano de Souza (Prior encomendado)
1742 - 1752 António Guerreiro
1752 - 1763 José Pereira Lyma
1763 - Cristino Maria José
1803 - 1816 José Caetano Sachez
1816 - 1819 Manoel Ferro e Sousa
1819 - 1822 Francisco das Chagas Leal Revez
1822 - 1824 José Manuel da Silva Conceição
1824 - 1828 Manoel da Silva Lopes Fonseca
1828 - 1834 José Pedro Aleixo
1834 - 1844 José Lopes França
1844 - 1845 Manoel da Silva Lopes Fonseca (Prior encomendado)
1845 - 1848 José Francisco de Carvalho
1848 - 1850 Francisco das Chagas Leal Revez
1850 - 1854 Diogo de Oliveira e Horta
1854 - 1860 António Barbosa e Mattos
1863 - 1863 Jorge Xavier Leal
1863 - 1867 João Inácio Tavares
1867 - 1869 Manoel José da Gama
1869 - 1875 Jorge Xavier Leal
1875 - 1878 António Francisco de Paula (Prior encomendado)
1878 - 1881 Alexandre João do Nascimento (Prior encomendado)
1881 - 1887 Augusto Martins d’Andrade
1887 - 1888 Alexandre João do Nascimento (Prior encomendado)
1888 - 1894 Filippe António de Brito
1894 - 1896 Alexandre João do Nascimento (Prior encomendado)
1896 - 1903 António Baptista Vieira
1903 - 1910 Joaquim da Cruz Guerreiro
1910 - 1915 João dos Santos Silva (Prior encomendado)
1915 - 1920 Francisco Lucas Pacheco
1920 - 1921 João dos Santos Silva
1921 - 1960 José Pedro Leal (Prior encomendado até 1940, depois Pároco),
1960 - 1961 Clementino de Brito Pinto
1961 - 1974 António Inácio
1974 -1976 José António Nobre Duarte (Pároco interino)
1976 - 1992 Francisco Costa Rita
1992 - 2012 Gilberto Melquíades Soares Santos
2012 - Jorge Manuel das Candeias de Carvalho
Sinal da Cruz
Pelo Sinal da Santa Cruz, livre-nos, Deus nosso Senhor, dos nossos inimigos.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ámen.
Deus é o protagonista na oração
Basta-te a Minha graça: a força realiza-se na debilidade. Não raramente somos tentados a pensar que Deus não nos ouve ou que não nos responde.
O que é a oração?
A oração consiste em elevar a alma a Deus ou em pedir a Deus bens conformes à sua vontade. Ela é sempre um dom de Deus que vem ao encontro do homem. A oração cristã é relação pessoal e viva dos filhos de Deus com o Pai infinitamente bom, com o seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo que habita no coração daqueles.
Renovamento carismático católico
O Renovamento Carismático Católico, por vezes também designado como Renovação Carismática Católica, surgiu (na Igreja de hoje) como uma onda de renovação da graça de Pentecostes.
O Renovamento Carismático Católico não é um movimento à semelhança de outros movimentos da Igreja Católica. Por exemplo, ao contrário de outros movimentos não tem um fundador: foi suscitado pelo Espírito Santo como caminho de renovação da Igreja. O Renovamento Carismático Católico é, de facto, melhor descrito como uma graça, uma onda de renovação que percorre a Igreja impelida pelo Espírito Santo.
Ao convocar o Concílio Vaticano II, o Papa João XXIII pedia ao Senhor que renovasse, na nossa época, as maravilhas de então "como um novo Pentecostes". E, na verdade, pouco depois do encerramento do Concílio surge o Renovamento Carismático Católico na Igreja Católica. No dizer do Cardeal Suenens o Renovamento Carismático é uma segunda graça de Deus à Igreja e ao Mundo, depois da primeira graça que foi o Concílio Vaticano II.
Como nasceu o Renovamento Carismático Católico?
Alguns professores e alunos da Universidade do Espírito Santo de Duquesne, em Pittsburg, na Pensilvânia (Estados Unidos da América), reuniram-se frequentemente para partilhar as suas experiências de fé. Todos reconheciam, porém, um certo vazio no fundo de si mesmos, falta de dinamismo e uma clara tibieza nas suas orações e atividades apostólicas. Era como se a vida dependesse, em elevado grau, dos seus próprios esforços…
Conscientes de que a força da primitiva comunidade cristã teve origem na vinda do Paráclito Consolador, começaram a pedir incessantemente ao Espírito Santo que manifestasse neles a sua presença cheia de poder, para bem da vida espiritual de cada um e êxito dos seus trabalhos apostólicos. Diariamente rezavam o "Vinde Espírito Santo" por todos os membros do grupo. Entretanto, alguns estudantes do grupo tinham lido o livro "A cruz e o punhal" em que um pastor pentecostal americano relata como, na sequência da sua ação no meio dos jovens drogados de Nova Iorque, o Espírito Santo operava numerosas conversões.
Decidiram então de 17 a 19 de Fevereiro de 1967 realizar um retiro de fim-de-semana conjuntamente com o capelão da Universidade. Todo o sábado foi passado em oração e estudo, nomeadamente do Livro dos Actos dos Apóstolos. Continuaram pela noite fora implorando a efusão do Espírito Santo. Muitos dos presentes, nesse fim-de-semana, tiveram a certeza espiritual de que a sua oração fora ouvida pela transformação interior e pela alegria espiritual que sentiram, naquela experiência de Pentecostes pessoal e comunitária. Isto foi para eles uma verdadeira "atualização de Pentecostes"… Sem Fundador, tinha nascido o Renovamento Carismático Católico. Esta experiência foi partilhada com amigos da Universidade de Notre Dame, em Indiana (Estados Unidos da América). Cerca de 30 pediram que rezassem também por eles, para que as suas vidas se tornassem profundamente cristãs… Tornaram-se "homens novos"…Graças à força imparável do Espírito Santo essa chispa propagou-se como incêndio em folha seca, invadiu os cinco continentes e tocou nestes 33 anos a vida de mais de 120 milhões de pessoas.
Mas qual é, então, o centro ou o coração do Renovamento Carismático Católico?
É a Efusão do Espírito Santo, como experiência de Pentecostes pessoal, atestada pelos frutos que são, generalizadamente, os seguintes:
1. A redescoberta da pessoa viva de Jesus, como Senhor e Salvador, conduzindo a uma nova relação pessoal em Cristo.
2. O reencontro filial com Deus Pai com muita confiança, muita espontaneidade, muita alegria.
3. Um sentido novo e um gosto renovado pela oração pessoal e comunitária. Para muitos a descoberta da oração de louvor e adoração.
4. Um novo apreço pela Sagrada Escritura como Palavra viva de Deus, que converte e transforma.
5. Uma procura mais consciente dos Sacramentos, nomeadamente da Reconciliação e da Eucaristia, e uma participação com mais alegria nas celebrações litúrgicas.
6. Um amor renovado e uma maior fidelidade à Igreja assim como uma entrega mais generosa ao serviço dos irmãos. Daí o desabrochar de numerosas vocações no Renovamento Carismático Católico.
7. Um amor terno e filial a Maria, Mãe de Deus e da Igreja, e uma maior compreensão do seu lugar no plano da salvação.
8. Muitas vezes uma profunda conversão interior e a correspondente transformação de vida.
9. Uma maior liberdade espiritual e um sentido mais vivo da comunhão fraterna. Daí, um desejo sincero de vivência comunitária para crescimento na fé e na audácia da evangelização.
10. Uma força nova para dar testemunho do Senhor Jesus em todas as circunstâncias.
11. Finalmente, a experiência do exercício dos carismas, como instrumentos para uma nova evangelização.
Grupos de Oração
Os grupos de oração, com algumas dezenas ou centenas de participantes, reúnem uma vez por semana num encontro de oração em que predomina a oração de louvor e de ação de graças, a leitura orante da Palavra de Deus, o canto como expressão de oração e o ensinamento para crescer no conhecimento da fé.
Em Portugal, há cerca de 400 grupos de oração do Renovamento Carismático Católico que reúnem semanalmente cerca de 15.000 pessoas. Os membros destes grupos são, frequentemente, membros activos na sua paróquia ou em movimentos apostólicos e no apostolado sócio-caritativo.
Na nossa Paróquia o movimento conta com cerca de 15 elementos.
Renovação da Vida Cristã
Nas dioceses em que estes grupos de oração estão implantados existe, em princípio, uma Equipa de Serviço Diocesano, reconhecida pelo Bispo da Diocese.
"Em todos os continentes, escreve o antigo Bispo de Meaux D. Albert Monléon, no seu livro "Dai testemunho – o Renovamento Carismático Católico", os grupos de oração ajudaram e formaram muitos cristãos. Estiveram por vezes na origem de comunidades, de serviços paroquiais, de missões de evangelização, de diversas iniciativas, que testemunham a irradiação, no mundo, de uma vida de oração comunitária".
Por exemplo em Portugal, surgiu na Diocese de Setúbal, a partir de um grupo de oração do Renovamento Carismático Católico, o "Centro Jovem Tabor", que acolhe adolescentes e jovens provenientes de ambientes familiares desintegrados, constituindo uma alternativa à falta de família e ajudando-os na sua inserção ou reinserção social.
O apostolado sócio-caritativo e o voluntariado encontram no Renovamento um grande sustentáculo.
Nascidas de grupos de oração e a eles ligados, existem duas associações: Associação Pneuma, com o carisma de evangelização pela palavra escrita, e Kerygma – Associação Cultural, com o carisma de evangelização de animação musical e artística.
Mas, escreve ainda o antigo Bispo de Meaux no livro já citado, "a efusão do Espírito Santo ao renovar a graça do batismo e ao chamar à santidade, atrai um certo número de batizados para um compromisso de vida ainda mais radical.
Este chamamento ao absoluto do Evangelho pode tomar a forma de um compromisso numa vida comunitária, no desejo de uma partilha mais profunda da vida de oração, da comunhão fraterna, do aprofundamento da fé, da aspiração à santidade, do testemunho a dar ao mundo.
Foi assim que o Renovamento viu e vê surgir numerosas comunidades. Os seus membros comprometem-se, num projeto de vida, a dar-se mais radicalmente a Cristo e aos seu Reino, a servir a Igreja com uma maior disponibilidade segundo modalidades diversas. Estas comunidades são muito variadas pelo tamanho, pelo estilo de vida, a forma de compromisso comunitário, a vocação eclesial, a implantação, etc."
Atividades: Finalmente as atividades do Renovamento Carismático Católico são múltiplas … Normalmente cada Diocese realiza Assembleias Diocesanas, Retiros, Encontros de Formação, etc. …
A nível dos grupos de oração há outras atividades tais como: hospitais, evangelização de rua, colaboração nas paróquias…
As Comunidades desenvolvem, com autonomia, um conjunto de atividades próprias tais como o Fórum Nacional de Jovens, organizado pela Comunidade Emanuel. Escolas de Evangelização para jovens, evangelização de casais e famílias, retiros para sacerdotes, formação de responsáveis de grupos de oração, grandes assembleias em Fátima., atividade missionária, nomeadamente em países de língua oficial portuguesa, publicações e edições.
João Paulo II afirmou: «O aparecimento do Renovamento Carismático Católico logo a seguir ao Concílio Vaticano II foi uma graça particular do Espírito Santo para a Igreja. Foi um sinal de que muitos católicos desejavam viver mais plenamente a sua dignidade e vocação de filhos e filhas de Deus Pai, conhecer o poder redentor de Cristo Salvador numa experiência mais intensa de oração pessoal e comunitária, seguir o ensinamento das Escrituras interpretadas com a luz do mesmo Espírito que inspirou a sua redação. Um dos mais importantes frutos desta renovação espiritual tem sido, certamente, a crescente sede de santidade na vida das pessoas e da Igreja.»
Preparação para o Baptismo
O Sacramento do Baptismo
O Santo Batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito Santo («vitae spiritualis ianua – porta da vida espiritual») e a porta que dá acesso aos outros sacramentos. Pelo Batismo somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus: tornamo-nos membros de Cristo e somos incorporados na Igreja e tornados participantes na sua missão. «Batismos est sacramentam regeneratiorais per aquam in Verbo».
Quem pode receber o Batismo?
«Todo o ser humano ainda não batizado – e só ele – é capaz de receber o Batismo».
O BATISMO DAS CRIANÇAS
Nascidas com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, as crianças também têm necessidade do novo nascimento no Batismo para serem libertas do poder das trevas e transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, a que todos os homens são chamados. A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no Batismo das crianças. Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Batismo pouco depois do seu nascimento.
O BATISMO DOS ADULTOS
Desde os princípios da Igreja, o Batismo dos adultos é a situação mais corrente nas terras onde o anúncio do Evangelho ainda é recente. O catecumenato (preparação para o Batismo) tem, nesse caso, um lugar importante; sendo iniciação na fé e na vida cristã, deve dispor para o acolhimento do dom de Deus no Batismo, Confirmação e Eucaristia.
(Conf. Catecismo da Igreja Católica)
COMO BATIZAR O SEU FILHO NA PARÓQUIA DE ALMANCIL:
A preparação para o Batismo é indispensável e deverá ser feita preferencialmente na própria comunidade paroquial. No caso das crianças (até aos 5 anos de idade), cabe aos pais pedir o Batismo para os seus filhos. O pedido deve ser feito com, pelo menos dois meses de antecedência, para haver tempo de fazer todos os preparativos.
Os preparativos acima referidos incluem as reuniões de preparação para os pais e padrinhos e também as questões práticas referentes a datas e horas para a Celebração do Batismo e organização do processo administrativo.
Os Padrinhos
Os pais devem tomar a sério a escolha de bons padrinhos para seus filhos, a fim de que estes não se tornem numa mera «figura de adorno».
Para esta escolha, os pais não devem guiar-se apenas por razões de parentesco, de amizade e muito menos de prestígio social, mas sim pelo desejo sincero de confiar aos filhos, padrinhos que sejam capazes de influenciar eficaz e positivamente a sua educação cristã.
Cada criança pode ter um só padrinho (homem ou mulher) ou dois.
O que é necessário para ser padrinho?
Quais são as funções dos padrinhos
Questões práticas a ter em conta antes do Batismo
A veste batismal
A veste batismal deve ser branca. O sentido do branco na liturgia tem a ver com a pureza. Pelo batismo o baptizado é incorporado na Igreja e nasce para uma vida nova, a vida da graça. Esse sentido de nova vida traz consigo a pureza interior simbolizada na veste branca que se deve vestir, no momento próprio.
A vela do Batismo
Deve ser adquirida antecipadamente, a vela do batismo, que, durante a celebração, vai ser acesa no Círio Pascal.
Os fotógrafos
Os pais podem escolher o fotógrafo que desejarem. Contudo, os fotógrafos devem fazer o seu trabalho de forma discreta.
Flores
Sempre que os pais desejarem ornamentar a Igreja com flores, devem contactar, com, pelo menos, duas semanas de antecedência, a Paróquia.
Transferências de Batismo
Quando o Batismo vai ser realizado noutra paróquia (diferente da paróquia de residência dos pais da criança), tem de haver um pedido de transferência do processo de batismo.
Nestes casos, os pais devem marcar, no Cartório Paroquial, um encontro com o pároco. As transferências de Batismo obedecem a critérios específicos que têm de ser respeitados.
A catequese da Adolescência é uma caminhada de esclarecimento e resposta a muitas interrogações em relação a Jesus Cristo e à personalidade de cada adolescente.
Os adolescentes, inconscientemente, traçam um círculo em torno da pessoa e só deixam entrar aqueles que lhes reforçam o seu próprio eu. Encontram grandes dificuldades no relacionamento com eles próprios, com Deus e com os outros.
A catequese para a Adolescência têm início com a terceira etapa que tem o nome de:
O Sentido Cristão da Vida
É uma fase de descoberta de Jesus Cristo como o amigo, a grande referência para o sentido da vida e para a resolução das grandes questões existenciais.
7.º Ano – Projecto Mais
Festa: Bem-aventuranças
8.º Ano – Somos Mais
Festa: Vida
A quarta e última etapa da catequese da infância e da adolescência denomina-se:
O Compromisso Cristão
Esta etapa pretende ajudar os adolescentes a realizarem o seu compromisso comunitário e eclesial. Tem ainda em conta uma nova síntese da fé, agora no horizonte adolescente e juvenil. Esta etapa catequética compreende os seguintes anos:
9.º Ano – O Desafio de Viver
Festa: Compromisso
10.º Ano – A Alegria de Viver
Festa: Envio
Na nossa Paróquia a catequese funciona ao Sábado das 16:00 às 17:00 seguida pela Eucaristia às 17:30 e ao Domingo das 10h30 às 11h30 seguido pela Eucaristia dominical na Igreja Paroquial Nossa Senhora de Fátima em Almancil.
No cartório poderá tratar todos os assuntos relativos a processos de casamento e/ou batismo, área administrativa e financeira, marcação de intenções de missa, relações externas e institucionais, catequese e informações sobre os grupos e atividades da Paróquia.
História de Almancil
Almancil (ou Almansil) é uma freguesia portuguesa do concelho de Loulé, com 62,69 km² de área e 11 136 habitantes (2011). Densidade: 177,6 hab/km².
Freguesia de Almancil no Século XIX
Monografia do Concelho de Loulé - 1905
Francisco Xavier d’Athaíde Oliveira
“O padre Luiz Cardoso, que, no seu Diccionario Geographico foi sempre minuncioso em informações, diz de Almancil apenas o seguinte: “Aldêa no Reino do Algarve, comarca de Tavira, termo e freguezia de S. Clemente da villa de Loulé.” Já d’antesos visitadores do Mestrado de S. Thiago, que por ali deviam ter passado na sua visitação à Ermida de Farrobilhas, nem a Almancil se referiram; o que faz crer que em 1565 nem Ermida ali havia.
Dizem os antigos que effectivamente nos princípios da Monarquia Portuguesa ali existia apenas uma pequena casa de venda ou hospedaria, de origem árabe, e por tanto chamada Almançal, que significa hospedaria.
D’esta freguezia, que em 1841 ainda o não era, diz João Baptista da Silva Lopes:
“Da freguezia de Loulé cortou a Junta do Distrito de 1836… para formar a freguezia de Almancil, denominada S. Lourenço dos Matos de Almancil, larga porção de terrenos, que se juntaram à antiga freguezia de S. João da Venda, que é suprimida, sendo substituída por aquela.”
No entanto refere-se à egreja de S. Lourenço de Almancil, mas sem ainda ser sede de nova freguezia, pela maneira seguinte:
“Esta egreja é notável pela belleza com que estão pintados os azulejos, de que todas as paredes estão revestidas, e todos os passos da vida do santo, e pela delicadeza do altar, cujas almofadas são de alabastro preto e de varias cores, colhido ali mesmo. Tem de rendimento oitenta mil reis, bons paramentos, casas sufficientes, que podem servir para a residência do parocho; pelo que a todos os respeitas foi bem formada esta nova freguezia, que no decreto de 6 de novembro de 1836 vem mencionada em a nova divisão administrativa.”
É possível, pois, que o nome de Almancil venha do árabe Almançal, como também é possível que os azulejos, que hoje adornam o bonito templo dáquella freguezia sejam os mesmos que adornaram a egreja de farrobilhas a que nos referimos, quando escrevemos da freguezia de Loulé. No entanto, (o que não destroe a nossa suposição) é certo que a tradicção é constante em affirmar que os azulejos foram fabricados próximo do sitio e dentro da área da nova freguezia.
No Mappa geral estatístico relativo ao anno económico, de 1864-1865 figura Almancil com 400 fogos, sendo a derrama arbitrada ao pároco 200$000 reis, pé de altar e mais rendimentos paroquiaes, 130$000; derrama 70$000 reis, secretario 4$200 réis, cobrador 4$000, total da derrama 78$200 réis.
Modernamente a freguesia de S. João dos Matos d’Almancil tem progredido muito.
Ao seu actual pároco, o muito reverendo Joaquim da Cruz Guerreiro, devemos as seguintes informações:
O 1.º termo que se encontra lavrado, quando a egreja de S. João da Venda era matriz da freguezia tem a data de 22 d’Abril de 1658 sendo cura o P.e Sebastião de Faria Pessanha. Em 1849 a sede d’esta paroquia foi mudada para a egreja de S. Lourenço, sendo augmentada com parte da antiga freguezia de S. Clemente de Loulé, ficando assim denominando-se a nova freguezia: S. João Baptista e S. Lourenço de Almancil. Começou assim a denominal-a o P.e Prior d’aquelle tempo Filipe António de Brito, desde o termo 61 de 1887, porque antes do termo 61 o nome dado era S. João Baptista d’Almancil.
Pelo rol da população feita em 1904 vê-se que esta freguezia tinha então 815 fogos com 3.503 almas: 1780 do sexo masculino, 1723 do feminino.
É esta freguesia constituída por casaes, mais ou menos separados entre si, sem constituir em aldeia ou povoação. Tem a grande propriedade do Ludo, que pertenceu à família Coelho de Carvalho, de Faro, e hoje dividida entre partes, quasi todas possuídas pela família Christovão d’esta freguezia. Uma parte d’aquella propriedade pertence ao snr visconde do Cabo de Santa Maria, herdada de seu sogro Ventura Coelho de Carvalho. Tem ainda outra grande propriedade conhecida pelo Muro, formada pelos terrenos salgados, e hoje pertencente à frima Mathos e Silva de Lisboa. Outra propriedade importante, que fora possuída pelo Morgado Joaquim Filippe de Lemos Lobo Freire Pantoja – denominada o Pontal, é hoje possuída pelo filho, do mesmo nome, residente em Faro.
Dista esta freguezia da sede do concelho e comarca 8 quilometros, e 10 quilometros das sedes do districto e diocese (Faro).
A estrada mais próxima da sede da paroquia é a chamada real e tambem do littoral, n.º 78, de Faro a Sagres. Depois a que vae de Faro a Loulé, atravessando esta freguezia do sul a norte, e passa a 200 metros da sede da paroquia. Ha ainda outra camararia, que parte do sitio d’Almancil e vae entroncar na de Faro a Loulé, proximo das Azenhas. Dentro da freguezia há um ramal, feito pelos donos da Quinta do Ludo, que sae do sitio do Troto e vae terminar no sitio do Ludo; ainda mais outro ramal, a maior parte feito por particulares e sae do sitio de Almancil (estrada real n.º 78) até à Fonte Coberta, havendo tenção de a levar mais adiante por ser de grande utilidade. Finalmente outro ramal existe: que parte do sitio de Alem a entroncar na de Faro e Loulé no sitio do Eseval, atravessando a via-ferrea, que percorre esta freguezia de Nascente a Poente, com Estação Almancil Nexe, que dista 200 metros da sede da paroquia.
Ainda existe a antiga egreja de S. João da Venda, que nada tem de recomendável, embora tivesse sido sede da antiga freguezia. A actual egreja paroquial de S. Lourenço de Almancil é notável pela belleza dos azulejos magníficos de que está forrada interiormente, tanto as paredes, como abobada e zimbório, sendo o corpo da egreja, nas paredes lateraes, diidido em 3 arcos lateraes, não abertos, e onde, em boa pintura, se admiram os passos principaes da vida do Santo. Pena foi que se perpretasse o vandalismo notado por quantos visitam esta egreja, de furar dois destes arcos para lhes introduzir dois nichos, um para S. Miguel, outro para N. S. do Rosário, estragando-se um ou dois dos passos referidos. A capella-mór é de talha dourada, bem feita, e em bom estado de conservação. O altar-mór é todo de fina pedra, as suas almofadas são de alabastro preto e de varias cores, colhido ali proximo. A sacristia é forrada de azulejo até meias paredes e tem arcas de boa madeira e muito bem trabalhada em talha e gavetões puchados a argolas de bronze.
As festas principaes são a de S. Lourenço, que não tem dia certo.
Havia uma feira em dia 24 de Setembro, mas lembraram-se mudal-a e fazel-a no dia da festa; por isso vão talvez designar dia certo para a celebração da festa, que, naturalmente, se realizará quando os grandes negociantes de cortiça voltarem com os seus trabalhadores.
Passa por esta freguezia o ribeiro chamado do Almancil, que nasce em S. Braz de Alportel, e vem passar junto da egreja de S. Lourenço, e atravessando a freguezia, norte e sul, passa pela ponte antiga e atravessa a estrada real, indo desaguar, depois de passar à ponte do Ludo, mandada fazer por D. Francisco Gomes de Avelar, venerando arcebispo-bispo do Algarve, em 1810, no mar, tendo atravessado tambem a grande propriedade do Muro.
As principaes producções desta freguezia são as comuns ao Algarve: figo, amêndoa, alfarroba, azeite, cereaes e legumes, etc.
A festa principal que se costuma realizar nesta freguezia é a do seu Orago S. Lourenço. E não tem dia certo, porque se espera que os preincipaes lavradores e negociantes de cortiça e trabalhadores tenham recolhido à freguezia.
A freguezia é sadia, e apenas se notam as febres, mais ou menos indemicas, devido talvez à estagnação das aguas do ribeiro. Felizmente na actualidade está a freguezia menos sujeita a essa doença, porque se tem trabalhado na limpeza do mesmo ribeiro.
Há nesta freguezia apenas uma escola official para as crianças do sexo masculino, pois que até hoje não se tem podido conseguir a criação de uma escola official para as crianças do sexo feminino. Para atenuar este mal alguns proprietários mandam as suas filhas á escola por elles paga. Por muito tempo esteve esta escola no sitio de Almancil; actualmente essa escola está no sitio do Valle d’Egoas, que é mais populoso.
Tem esta freguezia um cemitério, que dista da matriz uns cento e concoenta metros e foi mandado construir em 1877, no tempo em que paroquiava esta freguezia o Prior Francisco de Paula Mendonça.
Confronta esta freguezia pelo nascente com a freguezia de Santa Barbara de Nexe, e Conceição de Faro, pelo sul com S. Pedro de Faro e o Oceano, poente e norte com S. Clemente de Loulé.
A freguesia actual de S. Lourenço dos Mattos d’Almancil ou S. João dos Mattos d’Almancil compõe-se de toda a antiga freguezia de S. João da Venda distribuída pelos sítios: Sitio da Igreja, Troto, Esteval, Caliços, Alem, Casas e Nave, Barro de S. João, Outeiro, Arneiro, Mata Lobos, Valle da Venda, Torre, Ludo e Muro, e dos seguintes sítios desmembrados da freguezia de Loulé: Sitio d’Almancil, comprehendendo Garrão, Galvão e Ancão; do sitio das Pereiras, comprehendendo Poço Quebrado, Monte Estaco e Areias de D. João; do sitio das Ferrarias, que comprehende Caiados, Serro d’Afar, Palmeira Benta e Vargens; do sítio de Moinhos, que comprehende Gondra e Farrobilhas; do sitio de Barreiros Vermelhos e do Valle d’Egoas, que comprehende Serro do Mocho, Monte d’Olival e Barrocal e do Vale Formoso.
Monografia do Concelho de Loulé - 1905
Francisco X. D’Ataíde de Oliveira
Evolução da população entre 1879 e 1909 (rol das confissões de Almancil)
|
Ano |
Fogos |
Total |
Homens |
Mulheres |
Crianças -7 anos |
|
1879 |
1882 |
968 |
914 |
|
|
|
1880 |
2304 |
1195 |
1109 |
431 |
|
|
1881 |
2344 |
1202 |
1142 |
409 |
|
|
1882 |
2189 |
|
|
||
|
1883 |
557 |
2247 |
1134 |
1113 |
318 |
|
1884 |
553 |
2229 |
1134 |
1095 |
261 |
|
1885 |
578 |
2211 |
1191 |
1020 |
|
|
1886 |
602 |
2243 |
1099 |
1114 |
|
|
1887 |
638 |
2268 |
1152 |
1116 |
|
|
1888 |
682 |
2720 |
1347 |
1373 |
549 |
|
1889 |
672 |
2871 |
1474 |
1397 |
600 |
|
1890 |
668 |
2911 |
1490 |
1421 |
608 |
|
1892 |
671 |
2992 |
1539 |
1453 |
620 |
|
1893 |
681 |
3002 |
1551 |
1451 |
590 |
|
1894 |
704 |
3082 |
1592 |
1490 |
691 |
|
1895 |
726 |
3170 |
1625 |
1545 |
741 |
|
1897 |
713 |
3039 |
1529 |
1510 |
762 |
|
1898 |
732 |
3148 |
1590 |
1558 |
874 |
|
1899 |
741 |
3154 |
1580 |
1574 |
823 |
|
1900 |
747 |
3393 |
1605 |
1788 |
1022 |
|
1901 |
756 |
3206 |
1644 |
1562 |
792 |
|
1902 |
789 |
3346 |
1798 |
1548 |
933 |
|
1903 |
808 |
3436 |
1750 |
1686 |
|
|
1904 |
815 |
3503 |
1780 |
1723 |
|
|
1905 |
823 |
3560 |
1815 |
1745 |
|
|
1906 |
848 |
3627 |
1840 |
1787 |
|
|
1907 |
854 |
3653 |
1847 |
1806 |
|
|
1908 |
855 |
3623 |
1835 |
1788 |
|
|
1909 |
855 |
3585 |
1790 |
1795 |
|
As referências documentais mais antigas remontam aos príncipios do século XVI (Visitação da Ordem de Santiago ao Algarve 1517-1518). Nessa época era uma simples ermida dependente da Igreja Matriz de Santa Maria de Faro.
Era assim descrita em 1517: “Ermida de uma só casa. Na capela tem um altar de pedra e barro, e sobre o altar está um frontal de pano de linho com a imagem de São João pintada. A dita capela está coberta de telha vã. E as paredes são de pedra e barro e de taipa. O arco da capela é de tijolo. As portas da capela são novas e boas.
Tinha essa capela como bens : uma vestimenta de pano da India, nova e boa, duas galhetas de estanho novas, uma caldeira de água benta pequena e seu isope, uma lâmpada de cobre, um missal para todo o ano novo e bom.
A Capela tem também o seu adro em redor dela.”
Segundo parece a ermida tinha sido construída havia muito pouco tempo pela população local, pois tudo o que tinha estava em estado de novo.
Alguns anos depois, em consequência da sua elevação a sede de freguesia, foi construído um novo templo ainda de acordo com o formulário do gótico final.
A sua estrutura quinhentista, que se mantém hoje, compõe-se de nave única, sem transepto, duas capelas colaterais e cobertura de madeira no corpo da igreja. Ao longo dos séculos XVII e XVIII sofreu diferentes remodelações.
Merece referência neste templo, um notável retábulo dos finais do século XVI, curioso exemplar da talha maneirista no Algarve.
Salientemos também a existência de um pequeno núcleo de imaginária religiosa dos séculos XVII e XVIII do qual destacamos São Luís, imagem de grande devoção popular em honra do qual se promove anualmente uma grandiosa festividade.
De referir ainda o conjunto de várias telas pintadas outrora colocadas no retábulo.
É uma igreja situada no sítio de São Lourenço, na freguesia de Almancil (Loulé). Datada de finais do séc. XVII, é devotada a Lourenço de Huesca.
Merece especial destaque o revestimento interior de toda a igreja por azulejos datados de 1730 e assinados por Policarpo de Oliveira Bernardes (importante elemento do ciclo dos mestres da azulejaria portuguesa (1695-1778) ilustrando diversos episódios da vida de S. Lourenço.
Lourenço de Huesca ou São Lourenço, foi um mártir católico e um dos sete primeiros diáconos (guardiões do tesouro da Igreja) da Igreja Cristã, sediada em Roma.
(Huesca ou Valência, Espanha, nasceu a 225? — morreu em Roma, 10 de agosto de 258)
São Lourenço era espanhol e foi levado à Roma pelo Papa Sisto II, também santo. Era uma época de muita perseguição à Igreja, mas ambos trabalhavam com destemor. O jovem, forte, bem humorado e angelical Lourenço foi feito diácono, um dos sete primeiros da Igreja em Roma. Era responsável pela administração dos bens da comunidade e distribuía esmolas.
Em 257, o imperador Valeriano, irritado com o forte crescimento da Igreja em todo império, pois tirava o povo do paganismo, sua religião, decretou captura e morte aos cristãos.
No ano seguinte Sisto II foi preso e decapitado. São Lourenço, que o acompanhou durante os quatro dias de sua prisão, queria morrer com ele. Momentos antes do martírio, com doçura e lembrando o Sacrifício Eucarístico, ele pedia: "Meu pai, para onde vais sem vosso filho? Para onde vai o Santo Padre sem o vosso diácono? Jamais oferecestes o sacrifício sem que eu vos acolitasse? Em que vos desagradei? Encontrastes em mim alguma infidelidade?"
Mas o Papa precisava dele vivo para distribuir os bens da Igreja com os pobres, pois bem sabia que breve ele também seria sacrificado: "Não te abandono, meu filho! Deus reservou-te provação maior e vitória mais brilhante, pois és jovem e forte. A velhice e a fraqueza fazem com que os carrascos tenham pena de mim. Mas daqui a três dias me seguirás."
São Lourenço cumpriu bem as ordens que recebeu: vendeu ouro, prata e os bens mais valiosos. Em seguida convocou os pobres, viúvas e órfãos e distribuiu-lhes tudo que havia arrecadado e o que não conseguiu vender.
O prefeito da cidade, ouvindo que o administrador da igreja tinha tomado tal atitude, não acreditou. Mandou que viesse até ele e exigiu que entregasse tudo para o luxo do imperador. Mas era tarde. Lourenço havia agido com rapidez, pois já esperava ansiosamente a hora de seguir também para seu martírio. Teve, entretanto, a ideia de dar uma lição ao prefeito. Pediu-lhe o prazo de um dia para juntar todos os bens valiosos de propriedade da Igreja.
No dia seguinte mandou convidar o prefeito à porta igreja para ir receber o tesouro. Lá estavam uma multidão de enfermos, surdos, cegos, paralíticos, desamparados e indigentes. E disse-lhe São Lourenço: "Eis os tesouros da Igreja: os míseros que levam com resignação a cruz de cada dia, carregam o ouro da virtude; são as almas prediletas do Senhor que valem muito mais que pedras preciosas."
O prefeito, tomado de ira, prometeu-lhe uma morte lenta e sofrida. Primeiro mandou acoitá-lo com crueldade, depois o colocou sobre a grade de assar carne. Mas São Lourenço, em serena paz, não se deixou tomar pelo medo e parecia não sentir nenhuma dor. Bem humorado, chegou a brincar discretamente com seu carrasco: "Se quiser, já pode me virar, pois este lado já está bem assado."
Santo Ambrósio disse que seu rosto brilhava mais que o fogo, e que de seu corpo saia um perfume que enebriava a todos os presentes. São Leão Magno contou assim seus últimos momentos: "As chamas não puderam vencer a caridade de Cristo; e o fogo que queimava por fora foi mais fraco do que aquele que lhe ardia por dentro."
Seu corpo carbonizado foi sepultado no cemitério de Ciríaca, em Campo Verano, na Via Tiburtina, Roma.
A conversão do imperador romano, e assim de todo Império, algumas décadas mais tarde, é atribuída à história de seu martírio, que se espalhou por toda parte, e à sua intervenção, junto com os sacrifício de São Pedro e São Paulo, que ele tanto venerava. Constantino mandou construir a primeira capela onde hoje se encontra a Igreja de São Lourenço Extramuros, a quinta Basílica Patriarcal de Roma.
Em todo o mundo cristão, existem muitas igrejas dedicadas a este santo. Geralmente, as estátuas dele apresentam uma grelha (o instrumento que lhe causou a morte) e uma Bíblia nas suas mãos.
É comemorado no dia 10 de Agosto.
Igreja de S. Lourenço
O actual edifício começou a ser construído em 1722 no local de uma arruinada ermida seiscentista que invocava São Lourenço. “O primoroso templo, não pela grandeza, mas pelo ornato, asseio e magnificiência” – (Memórias Paroquiais de 1758) foi edificado como cumprimento da promessa feita pelos moradores do local que desesperados com a falta de água imploraram o patrocínio do Santo.
A construção e ornamentação da então designada Ermida de São Lourenço dos Matos ficou a cargo da respectiva confraria que tinha como Juiz protector o Dr. Manuel de Sousa Teixeira, Vigário Geral do Bispado do Algarve.
O templo teve como modelo a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Faro. Os irmãos Manuel e Antão Borges foram os responsáveis pela campanha de obras e consecutivo programa de decoração do interior da ermida.
A partir de 1849 com a supressão da freguesia de São João Batista da Venda e criação da freguesia de Almancil, a Igreja de São Lourenço passou a ser sede de paróquia.
A Igreja de São Lourenço, classificada como Imóvel de Interesse Público pelo decreto-lei n.º 35443 de 2 de Janeiro de 1946, representa uma valiosa expressão artística do barroco no Algarve.
A Igreja Matriz de São Lourenço, a jóia Barroca do património artístico de Almancil.
(Dr.ª Susana Carrusca)
No termo de Loulé, parte central de um Algarve ruralizado, a modesta Confraria de São Lourenço dos Matos sedeada num singelo templo crescera de importância sob a influência da tradição vernácula que atribuíra ao mártir e levita São Lourenço responsabilidade nas modelações milagrosas assim qualificadas a partir de 1722. O desenvolvimento da actividade da Confraria exprime-se em cores qualificadas pela acção singular do juiz Dr. Manuel de Sousa Teixeira, Vigário Geral do Bispado, signo emblemático da Diocese do Algarve, antigo ministro da Ordem Terceira de S.ão Francisco de Faro. Teria entrevisto o referido juiz o interesse de conversão e aproveitamento da monumental devoção ao Santo em primoroso agente difusor do sistema ideológico da Reforma católica da Diocese do Algarve. Exigia-se um laudatório reconhecimento ao Santo pelas acções milagrosas dos acontecimentos ocorridos e impunha-se adequar tal fenómeno de peregrinação aos objectivos coetâneos da militante ortodoxia do Catolicismo Tridentino. Motivos oportunos para a Confraria reivindicar uma renovação estética.
A Ermida de São Lourenço dos Matos de Almancil fora edificada segundo um preconcebido programa cenográfico de arte total ou seja delineara-se a concepção de uma austera caixa arquitectónica, filiada num chão panorama arquitectónico regional, pensada propositadamente para receber talha e azulejos. Descrevemos uma experiência estilística própria de uma arquitectura de âmbito provincial que concebeu o luxuosismo do interior eclesial como condicionante de uma vernacular estrutura de modelo longitudinal. Isto ficou provado pela proximidade cronológica existente entre a campanha de obras e a decoração interior do templo, pela confirmação da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Faro como protótipo da Ermida de São Lourenço dos Matos de Almancil, pelas tradições arquitectónicas da região. Para tal se contratara os irmãos Manuel e Antão Borges, mestre de azulejos e mestre de obras, que assumira a campanha de obras e o azulejamento. Recheara-se o templo com conjuntos que sistematizam o clímax grandioso dos géneros artísticos que representam: o revestimento deleitoso da talha de Manuel Martins, o maior entalhador do Algarve durante a época barroca e a azulejaria policarpiana que testemunha o galante ciclo dos mestres da arte de azulejar barroco elucidando como num meio artístico regional se tem acesso aos grandes artistas activos nos círculos de influência de uma arte cortesã. Vimos como os azulejos do templo constituem magníficos exemplares da mão e oficina de Policarpo de Oliveira Bernardes, tendo como modelo iconográfico a pintura azulejar de Carnide de Lisboa realizada alguns anos antes.
Verificámos como todas as circunstâncias históricas apontam para a atribuição da talha de Almancil, obra anónima, ao entalhador Manuel Martins. Fora ele que fizera o retábulo da Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Faro cuja semelhança formal com o da Ermida de São Lourenço dos Matos de Almancil é por demais evidente, tal como é da sua autoria a cornija da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Faro, modelo arquitectónico do templo de Almancil.
Concretizámos uma leitura iconológico-cultural interpretativa da obra de arte. A partir da análise da iconografia verificámos como todo o interior da Ermida convida ao seguimento de um percurso orientado que tem início nos painéis de azulejo do lado da Epístola, percorre todo o espaço azulejar, retábulo, cúpula e termina na abóbada da nave. Trata-se de um espectáculo cénico de pregação inspirado exclusivamente na biografia do mártir São Lourenço e destina-se, através da enorme riqueza simbólica dos elementos iconográficos, à proclamação das proezas e verdades morais e religiosas de uma vida cristã que se pretende levar a seguir. Comprovámos como São Lourenço de Almancil não fora apenas um objecto artístico de puro deleite visual, mas operativo instrumento de propaganda religiosa pós-tridentina destinado a delectare, docere e movere como supõe o ut rethorica pictura correspondente ao barroco. Tudo se fez através de um sermão imagético que se apresentava prestes a ser descodificado. Entendemo-lo como sermão pela contiguidade que se manteve ao longo do estudo concretizado entre a prosa perenética e as artes decorativas barrocas; ambas metaforizam uma mesma mundividência barroca, ambas funcionam ao serviço de um objectivo comum, ambas recorrem ao mesmo tipo de estratégias discursivas (nomeadamente o uso do conceito predicável, o recurso permanente à simultaneidade da categoria temporal no conteúdo textual, a tentativa constante de teatralização do espaço religioso em que se manifestam, a omnipresença de um discurso retórico como objectivo da comunicação estética, entre outros).”
Dr.ª Susana Carrusca
A mais antiga referência à igreja de São Lourenço de Almancil surge em 1672 no Livro da sua freguesia (São João da Venda). A traça do templo, de nave única com altares laterais e capela-mor coberta por cúpula esférica, deverá remontar ao final do século XVII ou princípios do seguinte, uma vez que os painéis de azulejo, que revestem integralmente o templo, apresentam a data de 1730.
Se o exterior da igreja é relativamente sóbrio - alçado principal rematado por frontão triangular e pórtico de linhas rectas, ao qual se sobrepõe um janelão de frontão interrompido -, o interior vive do brilho cerâmico dos azulejos azuis e brancos, de tal forma que Santos Simões a definiu como "igreja de louça" (SIMÕES, 1949, p. 2). De facto, o revestimento é interrompido, somente, pela cantaria que define o arco triunfal, e pelo brilho dourado da cimalha que percorre o templo e do retábulo-mor, em talha dourada de Estilo Nacional.
A importância da obra fez com que o seu autor assinasse e datasse os painéis. Assim, sabemos que foram executados em 1730 por Policarpo de Oliveira Bernardes (um dos expoentes máximos do intitulado "ciclo dos Grandes Mestres"), e encomendados pelo Vigário Geral, Reverendo Doutor Manuel de Sousa Teixeira. Contudo, a autoria dos painéis das paredes da nave tem vindo a ser contestada e atribuída a um outro autor, ainda não identificado, mas próximo de Bernardes (MECO, 1989, p. 84).
Os oito painéis da nave representam cenas da vida de São Lourenço, sendo que os pilares exibem um conjunto de alegorias às Virtudes - Liberdade, Pobreza, Castidade, Obediência, Piedade, Paciência, Temor a Deus, Entendimento, Humildade, Preserverança, Justiça e Verdade, as duas últimas de dimensões superiores.
Na capela-mor encontram-se novamente cenas alusivas à vida de São Lourenço, orago da igreja. Este, foi martirizado em Roma no ano de 258, por ter ousado desafiar o imperador Décio ao não devolver o tesouro da igreja de que era diácono. Na realidade, São Lourenço distribuíra o ouro pelos pobres e nada sobrara para o Imperador, que furioso o mandou flagelar com varas, queimar as costas com um ferro quente e, por fim, estender-se sobre um manto de brasas (RÉAU, 1997, vol. 4, p.255). Na cúpula, que assenta sobre trompas onde figuram anjos com símbolos do martírio, São Lourenço é conduzido ao céu.
Estamos, pois, em presença de um programa iconográfico que articula a temática da nave com a da capela-mor, ao realçar, não apenas a vida e caridade do santo, mas também as virtudes através das quais se alcança a santidade e, por conseguinte, a vida para além da morte. Nas cúpulas, e para além da experiência adquirida noutras obras suas e de seu pai (António de Oliveira Bernardes), este pintor de azulejos tira partido dos efeitos cenográficos, que denotam o eventual recurso a tratados de cenografia e perspectiva, mais eruditos (ARRUDA, 1989, p. 25).
(Rosário Carvalho)
Na opinião de José Meco, os painéis das paredes da nave, onde se inclui esta cena do martírio de S. Lourenço, não são da autoria de Policarpo de Oliveira Bernardes. Atribui-os a um colaborador individualizado do ciclo joanino que trabalhou segundo o programa decorativo daquele mestre.
Atendendo a que o contrato notarial foi realizado no dia 16 de Novembro de 1729 e determinava que os azulejos estivessem todos assentes na Primavera seguinte de 1730, parece evidente que os irmãos Manuel e Antão Borges, profundos conhecedores do meio artístico lisboeta, adquiriram a maior parte a Policarpo de Oliveira Bernardes e a restante a outra oficina de azulejaria, eventualmente próxima daquele pintor.
Nos princípios do século XVIII a pequenina ermida tardo-medieval de S. Lourenço encontrava-se quase arruinada, já sem portas.
No dia 22 de Setembro de 1722 os moradores deste lugar encontravam-se desesperados com falta de água e quando afundavam um poço, imploraram o patrocínio do Santo, prometendo construir um novo templo. Talvez "por destino do Santo", receberam um tão grande benefício que de imediato " abriu um anel de água tão copiosa ".
A partir de então a confraria de S. Lourenço dos Matos cresceu de importância, passando a ter como Juiz Protector uma das mais altas individualidades da região algarvia, o Dr. Manuel de Sousa Teixeira, Vigário Geral do Bispado.
Com as esmolas dos fiéis começou-se a construir "um primoroso templo, não pela grandesa, mas pelo ornato, asseio e magnificência", destacando-se a utilização de valores da arquitectura vernacular compensados interiormente por uma exuberante ornamentação.
Os dois irmãos Borges, naturais de Lisboa, o Antão, mestre pedreiro, morador em Faro e o Manuel, mestre de azulejo, residente em Lisboa, devem ter assumido a construção da igreja, já com o objectivo de a revestirem de azulejaria. Estes dois artistas foram responsáveis no Algarve por diversas obras, de que se destacam em Faro, o revestimento azulejar da Igreja da Ordem 3ª de S. Francisco e a construção do coro alto da Sé.
Em Novembro de 1729 estes mestres comprometeram-se com o já referido Dr. Manuel de Sousa Teixeira a arranjar os azulejos para o novo templo e a assentá-los com a maior brevidade. Os azulejos da abóbada da nave e da capela-mor, incluindo a cúpula, foram feitos, em 1730, por Policarpo de Oliveira Bernardes. No entanto, o contrato notarial foi celebrado entre o Juiz da Confraria e os irmãos Manuel e Antão Boges, comprometendo-se estes últimos "a darem por sua conta todo o azulejo necessário para se azulejar a capela do Santo, tanto paredes como a meia laranja e assentar o dito azulejo (...) com toda a perfeição possível (...) e da melhor pintura que poder ser".
O retábulo e a restante talha deve ter sido concebida e executada, por volta de 1735, pelo melhor artista da região, o mestre Manuel Martins.
O douramento foi somente contratado, no dia 16 de Fevereiro de 1742, pelos pintores algarvios Clemente Velho de Sarre e Francisco Correia.
O terramoto de 1755 quase não se fez sentir, tendo somente caído cinco azulejos do alto da abóbada.
Nas paredes laterais deste templo há oito painéis figurativos alusivos à vida de S. Lourenço. Os dois da ousia representam o Santo a distribuir pelos pobres os bens que a Igreja lhe confiava para este fim e um milagre feito junto ao rio Tibre, em que restitui a vista a dois cegos.
Os seis painéis da nave da igreja apresentam-se por ordem cronológica, com início no lado da epístola, junto à capela-mor e prolongam-se no lado do evangelho a partir da porta.
1º - S. Lourenço dialoga com o Papa Sisto, quando este ia ser martirizado, lamentando-se de não ir com ele. O Pontífice anima-o dizendo que três dias depois seria a sua vez.
2º - O Santo é preso e acusado de possuir grandes riquezas, tratando-se contudo das esmolas que o Papa Sisto lhe mandava distribuir pelos pobres.
3º - S. Lourenço apresenta ao imperador romano, Valeriano, os tesouros da Igreja, isto é, os pobres.
4º - O Santo é intimidado a renegar a fé em Cristo e a aceitar os deuses romanos.
5º - S. Lourenço é colocado sobre uma grelha para ser queimado a fogo lento a fim de ser maior o seu suplício, esperando que ceda perante a dor.
6º - O Santo é confortado no seu martírio por um anjo de Deus, que leva a sua alma ao céu.
Os fiéis, nos meados do século XVIII, afluíam em maior quantidade à ermida de S. Lourenço na antevéspera e na véspera do dia de festa do Santo (10 de Agosto). Mais de duas ou três mil pessoas deslocavam-se em romagem "não só pela devoção de verem a S. Lourenço, como pela grandesa da sua festividade e fogo que arde na noite do Santo e além disto pelos muitos bailes e descantes da gente que ali acode".
É de realçar na cena da coroação de S. Lourenço, tema do painel central da abóbada da nave, uma técnica bem característica de Policarpo em que as "sombras e marcas mais carregadas de azul são obtidas através do cruzamento perceptível de pinceladas distintas" (José Meco).
A decoração da sacristia fez também parte da remodelação realizada neste templo no 2° quartel do século XVIII. As paredes foram revestidas com um grande rodapé de azulejos com motivos ornamentais barrocos: folhagem de acanto, albarradas, etc..
Na parte central foi colocado o mais interessante arcaz barroco de toda a região algarvia, sobressaindo a ornamentação em talha das portas, dos gavetões e do espaldar. Este último abrigava a imagem procissional do padroeiro.
Tal como a talha da igreja, o arcaz e a imagem procissional de S. Lourenço devem ter sido feitos pelo mestre entalhador e escultor farense Manuel Martins.
S. Lourenço
Localização: Rua da Igreja, Almancil, Loulé 37° 4' 56.07" N 8° 0' 32.36" W
Festas: São Lourenço (fim de semana de Agosto mais próximo do dia 10); São Luís (primeira semana de Fevereiro), no sítio de S. João da Venda
Visitas: De Segunda . 15:00 às 17:00
Terça a Sábado das 10:00 às 13:00 e das 15:00 às 17:00 (Hora de Inverno) 18:30. (Hora de Verão) – A visita é paga
Caro amigo!
O que é a Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP)?
Fundada em 1833 por um grupo de jovens leigos a Sociedade de São Vicente de Paulo é uma organização católica de leigos voluntários, homens e mulheres, dedicada a oferecer assistência pessoal para aqueles que tem necessidade. A base do seu trabalho é a interação direta e pessoal com aqueles que estão em necessidade e suas famílias, independentemente de sua origem ou crenças. Visitam-nos no seu próprio ambiente, seja em casa, em uma residência, hospital, em seus abrigos, nas ruas ou na prisão.
O que é uma "conferência"?
A unidade básica da organização é um grupo de cerca de quinze membros pertencentes a uma "Conferência de São Vicente de Paulo". Eles ocorrem com frequência, a cada uma ou duas vezes por semana para organizar e discutir seu trabalho com os pobres de sua comunidade local. Geralmente, as conferências estão relacionados com paróquias católicas. Eles compartilham em cada conferência uma vida espiritual rica.
Em todo o mundo, existem cerca de 51.000 conferências com mais de 700.000 membros. São apoiados, por exemplo, no trabalho social dedicado a crianças e idosos em centros de saúde e escolas, com mais de 1,5 milhões de voluntários em 142 países, onde a SSVP está presente.
O que é o Conselho Geral da Sociedade de São Vicente de Paulo?
O Conselho Geral da Sociedade de São Vicente de Paulo é a mais alta autoridade da Companhia internacionalmente. Desde a sua fundação em 1833, está localizado em Paris.
A sua missão principal é apoiar o trabalho das conferências em todo o mundo, tais como - em sua capacidade financeira - por apoiar financeiramente o seu trabalho social importante. O Conselho Geral é o elo entre os países pobres e os países ricos, onde a empresa está presente para incentivar a transferência de saberes, bem como apoio financeiro, controlando precisamente o uso desses fundos.
A Sociedade de São Vicente de Paulo, nas Nações Unidas
Em março de 2012, a SSV foi admitida como uma Organização Não Governamental no (Conselho Económico e Social da Organização das Nações Unidas) ECOSOC. Este estatuto consultivo permite a ONG's como a nossa, não só o acesso ao ECOSOC, mas também muitos dos seus órgãos subsidiários, os vários mecanismos de Direitos Humanos das Nações Unidas, e nos dá a possibilidade de participar de conferências internacionais, tais como aqueles sobre temas como desenvolvimento económico e social, questões de género, desenvolvimento sustentável, organizado pelas Nações Unidas.
CATEQUESE DE ADULTOS PARA QUÊ, se ontem não existia?
- para que lhes seja garantido o direito a uma fé adulta;
- para que descubram a sua verdadeira identidade cristã;
- para que a catequese das crianças seja mais eficaz, pelo envolvimento de uma comunidade cristã adulta;
- para que assumam a sua missão de evangelizadores;
- para que participem de uma forma responsável na edificação da Igreja;
- para que, no contexto do mundo de hoje, tenham bem claro o que é ou não é importante na sua fé.
A QUEM SE DESTINA?
- a todos os adultos, com mais de 18 anos, que não tiveram uma iniciação na fé cristã;
- àqueles que apenas tiveram uma catequese infantil e, por isso, apenas receberam respostas adaptadas à sua mentalidade de criança, faltando-lhes respostas para as suas questões de adultos;
- a todos os cristãos que ainda não fizeram este tipo de aprofundamento da sua fé, com vista a uma estruturação da mesma.
COMO É ESTA CATEQUESE?
- Oferece uma síntese doutrinal, coerente, sistemática e organizada do conjunto da fé cristã, fazendo ao mesmo tempo uma experiência da Igreja como comunidade (vida de equipa e inserção na comunidade cristã); experiência de oração e da relação viva entre a Palavra de Deus e a vida quotidiana.
QUANTO TEMPO?
- Tem a duração de dois a três anos, em reuniões quinzenais em dia e horário a combinar.
PARA MAIS INFORMAÇÕES CONTACTAR A PARÓQUIA
“Deixai as crianças e não as impeçais de vir ter comigo, pois delas é o Reino do Céu” (Mt 19, 14)
Sendo a catequese um caminho progressivo de amadurecimento da fé, acompanhando o cristão na marca da sua vida, de modo que este cresça harmoniosamente em todas as dimensões, há na nossa paróquia diversas fases de catequese, atendendo às idades e circunstâncias dos vários sectores a formar e a evangelizar.
O programa de Catequese da Infância e Adolescência, aprovado pela Conferência Episcopal Portuguesa, em Abril de 1988, compreende cinco fases bienais que culminam e terminam com celebrações festivas profundamente vinculadas ao caminho da fé percorrido em cada fase. A relação entre as diversas fases faz-se em espiral: O Mistério Cristão é desenvolvido gradualmente de acordo com as características e capacidades próprias dos catequizandos.
Catequese da Infância
Nos primeiros anos de vida, a relação que a criança adquire com Deus depende profundamente do ambiente que a rodeia. Nesta fase etária, a família tem um papel de extrema importância a desempenhar: a sua fé, a firmeza do seu comportamento, a sua vida de oração, na qual a criança deve participar, constituem o terreno em que fica a semente da qual desabrochará mais tarde a sua fé.
As famílias que trazem os seus filhos à catequese começam a entender que o fazem porque DEUS é importante para a sua vida. Daí a importância dos pais, catequistas e pároco, sobretudo como testemunhos de vida, com a oração em comum e a Eucaristia dominical.
O sucesso, a felicidade e o bem-estar das nossas crianças estão intimamente relacionados com tudo isto. Vale sempre a pena o esforço que fazemos pelos nossos filhos!
Com o início da catequese temos a primeira etapa que se denomina:
Inserção na Comunidade
É uma fase de acolhimento por parte de toda a Comunidade Cristã, que visa a progressiva inserção na vida da fé da Igreja. Esta primeira etapa catequética compreende os seguintes anos:
1.º Ano – Jesus gosta de mim
Festa: Acolhimento
2.º Ano – Ensina-nos a rezar
Festa: Pai Nosso
3.º Ano – Em Ti, vivemos
Festa: Palavra
À segunda etapa damos o nome de:
A Vida da Fé
Esta etapa é dedicada à primeira síntese da Fé cristã. Ser Cristão é seguir Jesus e viver à maneira da comunhão trinitária. Esta segunda etapa catequética compreende os seguintes anos:
4.º Ano – Ao encontro … de Jesus
Festa: Eucaristia (Primeira Comunhão)
5.º Ano – À descoberta … do pai
Festa: Credo
6.º Ano – Na força… do espírito
Festa: (Profissão de) Fé
Estas primeiras duas etapas constituem a chamada catequese para a Infância.
Na nossa Paróquia a catequese funciona ao Sábado das 16:00 às 17:00 e ao Domingo das 10h30 às 11h30 seguido pela Eucaristia dominical na Igreja Paroquial Nossa Senhora de Fátima em Almancil.
O SACRAMENTO DOS DOENTES
A Unção dos doentes mostra claramente a solicitude corporal e espiritual do Senhor para com os doentes. A pessoa que está doente necessita de uma peculiar Graça de Deus para que não perca o ânimo na aflição, nem venha a fraquejar na fé, pela falta de confiança no Senhor. (Introdução ao Ritual, nº5).
Recebendo o Sacramento dos doentes, o enfermo pode suportar melhor, com mais fortaleza, os males que o afligem, e pode vencê-los obtendo a saúde do corpo e renovando-se na sua espiritualidade. Este Sacramento, pela oração feita sobre o doente e com o doente confere se necessário o perdão dos pecados e a consumação da Penitência cristã. (Introd. ao Ritual nº 6)
Por tudo isso, através da Unção dos Doentes, pede-se ao Senhor que o cristão regresse às suas normais actividades, às suas anteriores ocupações, uma vez que se pede a cura de toda a fraqueza, o sarar de todas as feridas, o alívio de todas as dores da alma e do corpo, o perdão de todos os pecados. (oração depois da unção, nº 77).
Uma força especial e um conforto para viver, e, se for essa a vontade de Deus, uma melhora do estado de saúde. Mesmo quando não há melhoria do estado de saúde, este sacramento permite experimentar a paz e a coragem para suportar os sofrimentos da doença e da idade avançada com uma graça de força, de perdão e de purificação.
Como preparar?
Para receber qualquer sacramento o cristão deve estar em estado de graça, sem consciência de culpa grave.
Deve rezar e pedir a Deus que o ajude a conformar-se com a Sua vontade Santa.
Deve contemplar Cristo crucificado e pedir-lhe a graça de se identificar com a sua paixão gloriosa e de contribuir assim para o crescimento espiritual da Igreja.
Não deve receber este sacramento esperando uma cura milagrosa. O fruto principal do sacramento é a graça da pacificação e do alívio espiritual e corporal das dores. Se for a vontade de Deus e se contribuir para o bem da Igreja, o doente experimentará também as melhorias significativas.
O Sacramento da Santa Unção é celebrado sempre que nos for pedido. Basta contactar o Acolhimento Paroquial.
O que é necessário fazer para celebrar o Sacramento do Matrimónio?
Em primeiro lugar, supõe-se que os noivos saibam o que significa e que desejem casar e viver o seu casamento como vivência do Baptismo e de acordo com o que a Igreja propõe.
1. Para que tudo corra como os noivos desejam nesse dia único das suas vidas devem marcar em primeiro lugar a celebração na Igreja com a antecedência necessária.
2.Devem tratar do processo civil na Conservatória do Registo Civil, com a devida antecedência, e informar que se vão casar na Igreja.
3. Ao mesmo tempo e com um mínimo de três meses antes, devem dirigir-se à paróquia de residência para iniciar o processo Canónico. Como documentos devem levar a certidão de baptismo e certidão de nascimento. Conforme caso particular podem ser requeridos outros documentos.
4. Faz parte do processo canónico também um pequeno diálogo com o pároco ou com outro sacerdote ou diácono.
5. Na paróquia onde se realizará o casamento devem fazer chegar a certidão da Conservatória do Registo Civil autorizando o casamento civil, o Certificado que vem da Cúria diocesana do Algarve autorizando o casamento religioso e fotocopias dos documentos de identificação das testemunhas (chamados padrinhos) bem como a sua morada de residência. – As testemunhas têm que ter mais de 18 anos.
É conveniente aos noivos preparem-se para o Matrimónio Católico com uma formação específica para este Sacramento. Na Paróquia essa preparação é animada pela Equipa dos CPM – grupo de casais com uma vida de fé comprometida e com preparação adequada quer ao nível da pastoral quer das disciplinas de ciências humanas e realiza-se habitualmente em Loulé no Centro Paroquial.
O perdão e a reconciliação são sinais de amor! Quando ferimos ou somos feridos por alguém que amamos verdadeiramente, não nos sentimos impacientes por nos reconciliarmos com ele? Não esperamos ansiosamente por ouvir dizer que nos perdoa ou, no caso de sermos nós os autores da ofensa, de lhe pedir perdão e de dizer que o amor e a confiança continuam? Até podemos estar convencidos, mesmo sem nada dizer ou sem nada fazer, que o amor entre vós permanece, mas como são reconfortantes as palavras ou os gestos de cumplicidade ou de ternura que vão confirmar o perdão!
Deus é Amor e como é de amor que se trata quando nos referimos ao perdão dos pecados, acontece o mesmo quando ferimos o Amor de Deus. É verdade que Deus nos perdoa sempre que desejamos o seu perdão; é verdade que Ele não tem necessidade de passar por um homem para nos perdoar… somos nós que temos necessidade dum gesto concreto, duma palavra pronunciada pelo ministro da Igreja que nos restaure na alegria e na confiança reencontrada. Este gesto, esta palavra, é o sacramento da reconciliação (ou da penitência, ou do perdão dos pecados, ou a confissão, segundo as palavras que se escolhem).
“O Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados” – Jesus disse ao paralítico: “Homem, os teus pecados estão perdoados”. Os escribas e os fariseus começaram a murmurar, dizendo: “Quem é Este que diz blasfémias? Ninguém pode perdoar os pecados, senão Deus somente”. Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse-lhes: “(…) o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados”. (Lc 5, 20-22.24).
“Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados” – Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando aos discípulos em casa com as portas fechadas (…) soprou sobre eles, e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes ser-lhe-ão retidos” (Jo 20, 19.22-23).
“Se confessarmos os nossos pecados. Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados” – Se dissermos que não temos pecados, enganamo-nos a nós mesmos e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele que é fiel e justo para nos purificar de toda a iniquidade (…). Filhinhos meus, escrevo-vos estas coisas para que não pequeis; mas, se alguém pecou, temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 1, 8-9; 2,1).
“Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não precisam de se arrepender” (Lc 15, 7).
Normalmente começa-se por preparar a confissão fazendo o exame de consciência e pensando nos pecados que cometemos. Mas é necessário, anteriormente, colocar-se diante de Deus, da Sua Palavra, lendo uma passagem da Escritura. A escuta da Palavra, revelando-nos a misericórdia de Deus, descobre e ilumina, ao mesmo tempo, o nosso próprio pecado.
Mas o exame de consciência é apenas a primeira etapa. Preparar-se para o perdão de Deus implica a contrição, isto é, reconhecer com humildade que o pecado fere a minha relação com Deus e a minha própria dignidade. É também preparar-se, com os meios que a Igreja coloca à nossa disposição, para vencer as tentações, para tomar resoluções concretas que visem a conversão, a vida nova prometida e oferecida pela Páscoa de Jesus Cristo.
Muitas vezes somos desencorajados a pedir o perdão de Deus porque nos conhecemos e sabemos que, mais tarde ou mais cedo, voltaremos a cair no mesmo pecado. É verdade que a confissão não nos garante a conversão automática, mas este sacramento coloca-nos na humildade diante de Deus que nos ama apesar da nossa fraqueza e é por isso que este encontro se torna essencial. O sacramento da reconciliação dá-nos também uma graça especial, uma força de Deus, para nos curar das nossas fraquezas e traz um impulso á nossa caminhada cristã e é por isso que, reconhecendo-nos pecadores e fracos, sentimos a paz e a alegria depois da confissão – experimentamos como Deus é misericordioso e não desiste nunca de nós.
Depois de fazer o exame de consciência, dirijo-me ao sacerdote e confesso os meus pecados. Depois, escuto com atenção e humildade os seus conselhos e exprimo o meu arrependimento e propósito de reparação rezando o Acto de Contrição. Finalmente, o sacerdote dá-me a absolvição. Saindo do confessionário, cumpro o mais brevemente possível a obra de reparação (penitência) que me foi imposta. Se se trata de alguma oração que devo rezar, faço-o antes de me retirar da Igreja.
Existe muitas propostas, aqui está uma dela:
I – Há quanto tempo me confessei?
Disse ao confessor todos os meus pecados graves, ou deixei por dizer algum de que me lembrava, por medo ou vergonha?
II – Examino o cumprimento das minhas obrigações para com Deus.
Faltei à Missa algum Domingo ou Dia Santo de guarda por culpa própria? Quantas vezes? Deixei algum dia de rezar? Recebi algum sacramento sem estar na graça de Deus?
Alguma vez neguei a fé verdadeira, chegando a afirmar-me ateu ou agnóstico? Tive vergonha de manifestar a minha fé? Se alguma omissão me parece mais grave, contá-la-ei ao sacerdote.
Pratiquei ou aconselhei algum acto de superstição, de bruxaria, ou outras práticas não aconselhadas pela Igreja? Assisti a alguma reunião de espiritismo, culto de seitas, ou outras manifestações de falsas religiões, procurando noutro lugar a salvação que só Jesus Cristo pode dar através da Santa Igreja e dos Sacramentos? Cheguei a considerar-me membro de outra comunidade, cristã ou não cristã, cometendo assim o pecado de cisma, heresia ou apostasia?
Procurei aprofundar a minha pertença à Igreja, participando das actividades paroquiais ou de algum movimento de obra apostólica? Procurei a formação cristã e a catequese adequada à minha idade e formação? Ou pelo contrário tenho-me afastado da vida da comunidade cristã, vivendo a minha religião de uma forma individualista, sem me preocupar com o crescimento da minha fé cristã?
Contribui para as necessidades da Igreja com as esmolas justas e possíveis? Cumpri as minhas promessas e votos? Guardei o jejum e a abstinência prescritos pela Igreja?
III – Faltei à justiça ou à caridade com o próximo?
Como filho, cumpri os meus deveres de amor, respeito, gratidão e obediência justa para com os meus pais, e sendo necessário, de ajuda e amparo? Como marido ou esposa, guardei a fidelidade no matrimónio e cumpri com as minhas obrigações de ajuda mútua, diálogo e partilha de vida do casamento? Como pai ou mãe, educo ou eduquei os filhos com amor e firmeza na obediência à lei de Deus e na pertença à Igreja? Respeitei os superiores, temporais e espirituais?
Cometi alguma falta contra os direitos sagrados da vida: homicídio, aborto, eutanásia, violência contra os outros, suicídio tentado ou planeado, uso de drogas, abuso de álcool, condução imprudente, riscos desnecessários e excessos tomados por aventurismo ou fanfarronice, ou qualquer acção que represente a violação do quinto mandamento da Lei de Deus?
Guardei a castidade? Consenti em maus pensamentos? Participei em conversas indecentes? Pratiquei alguma acção grave contra a castidade (masturbação, relações sexuais fora do casamento, leitura, audição ou visionamento de material pornográfico, práticas homossexuais)? No namoro, tenho pedido a ajuda da graça de Deus para levar por diante um relacionamento puro? No casamento, peço a ajuda da graça de Deus para ser fiel e obediente aos ensinamentos da Igreja sobre a regulação dos nascimentos?
Apropriei-me indevidamente de algo que não me pertence? Fui cumpridor no pagamento das dívidas? Devolvi as coisas emprestadas, ferramentas, utensílios, roupas, livros, etc.? trato de maneira honesta e responsável a questão dos meus impostos? Danifiquei com culpa ou tratei com desleixo os bens alheios ou comuns? Tenho sido cumpridor dos meus deveres profissionais, trabalhando esforçadamente e obedecendo às indicações legítimas dos meus superiores? Se sou dador de trabalho ou dirigente, tenho sido justo com os meus subordinados, tratando-os com respeito e pagando-lhes o justo salário? Como estudante, cumpro as minhas obrigações, estudando com afinco e prestando provas com honestidade ou tenho “cabulado”?
Falei sempre a verdade? Prestei falso testemunho em juízo? Enganei os outros, prejudicando-os? Caluniei alguém? Ou, mesmo que não mentindo, disse mal de alguém sem verdadeira necessidade?
Qualquer cristão que deseje receber o Sacramento da Reconciliação pode vir nos horários indicados ou pedir no Acolhimento para falar com um Sacerdote:
Com a presença renovada do Espírito Santo, o sacramento da Confirmação é o sinal de Deus que mergulha o cristão na plenitude do seu mistério. É um auxílio de Deus que permite ao homem novo descobrir o seu lugar na Igreja, a ser mais fortemente testemunha do Evangelho e a entrar plenamente na missão a que o Pai o chama.
A palavra “confirmação” não significa que o baptismo precise ser confirmado, ele é definitivo. (Durante alguns tempos surgiu um equívoco que se prende com o baptismo das crianças. Dado que no baptismo seriam os pais a renunciar ao pecado e a professar a fé cristã, a confirmação seria uma tomada de posição do adolescente/jovem que agora estaria preparado para professar a fé). No latim tardio confirmare tomou o sentido atenuado de completar: este complemento do baptismo pelo rito da imposição das mãos e a unção com o santo Crisma, exprime a acção do Espírito Santo na vida do cristão e da Igreja.
O Sacramento do Crisma é recebido no decurso normal da catequese de infância e adolescência, normalmente no final do 10º ano. No caso dos adultos, é recebido após um período prévio de catecumenato, destinada exclusivamente àqueles adultos que ainda não celebraram o sacramento do Crisma e que o querem fazer. O início destas catequeses inicia-se, normalmente, em Janeiro.
Sobretudo nas pessoas mais idosas subsiste a dúvida quanto à sua confirmação. Há alguns anos a catequese não estava organizada e sistematizada como hoje, e o pároco, aquando da visita pastoral do Bispo, preparava as crianças e os jovens para este sacramento. Também há muitas confusões entre a chamada comunhão solene e o sacramento do Crisma. Por isso, a primeira coisa a fazer é contactar a paróquia onde foi baptizado e pedir para ver no assento de baptismo se está averbado o Crisma. Caso não esteja é um indício forte de que não foi crismado.
No caso de não ter sido crismado, poderá contactar os serviços da Paróquia e inscrever-se na preparação para receber este sacramento.
O que vai ser crismado, deve ser assistido por um padrinho ou madrinha, cuja tarefa é procurar que cumpra fielmente as obrigações inerentes a este Sacramento. Lembramos que não pode ser o pai ou mãe e que tem de ser crismado.
Contacte o Acolhimento Paroquial, para iniciar o processo.
EUCARISTIA
A celebração da Eucaristia é o centro de toda a vida cristã, tanto para a Igreja universal como para as comunidades locais da mesma Igreja. Com efeito, «os outros sacramentos, como todos os ministérios eclesiásticos e as obras de apostolado, estão ligados à santíssima Eucaristia e a ela se ordenam. Efetivamente, na santíssima Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, que é o próprio Cristo, nossa Páscoa e pão vivo, que, pela sua carne vivificada e vivificadora sob a ação do Espírito Santo, dá a vida aos homens, os quais são assim convidados e levados a oferecerem-se juntamente com Ele, a si mesmos, os seus trabalhos e toda a criação».
Além disso, «a celebração da Eucaristia no sacrifício da Missa é verdadeiramente a origem e o fim do culto que à mesma Eucaristia se presta fora da Missa». De facto, Cristo nosso Senhor, que «é imolado no sacrifício da Missa quando começa a estar presente sacramentalmente como alimento espiritual dos fiéis sob as espécies do pão e do vinho», também, «depois de oferecido o sacrifício, enquanto se conserva a Eucaristia nas igrejas ou oratórios, é verdadeiro Emanuel, isto é, «Deus connosco». Com efeito, de dia e de noite Ele está no meio de nós e habita em nós «cheio de graça e de verdade».
O fim primário e primitivo da Reserva eucarística fora da Missa é a administração do Viático; os fins secundários são a distribuição da comunhão e a adoração de nosso Senhor Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento.
Com efeito, a conservação das sagradas espécies para os enfermos deu origem ao louvável costume de adorar este alimento do céu que se guarda nos nossos templos. E este culto de adoração funda-se numa razão válida e segura, sobretudo porque a fé na presença real do Senhor leva naturalmente à manifestação externa e pública dessa mesma fé.
Na celebração da Missa, os modos principais da presença de Cristo na Igreja manifestam-se gradualmente: primeiro, enquanto está presente na própria comunidade dos fiéis reunidos em seu nome; depois, na sua palavra, quando na igreja se lê e se explica a Escritura; igualmente na pessoa do ministro; e por fim e de modo eminente, debaixo das espécies eucarísticas. Com efeito, no Sacramento da Eucaristia está presente, de maneira absolutamente singular, Cristo todo inteiro, Deus e homem, substancialmente e sem interrupção. Esta presença de Cristo debaixo das espécies «chama-se real por excelência, não por exclusão, como se as outras não fossem também reais».
A participação mais perfeita na celebração eucarística é a comunhão sacramental recebida dentro da Missa. Isto aparece mais claramente em razão do sinal, quando os fiéis recebem o corpo do Senhor no próprio sacrifício, depois da comunhão do sacerdote. Por isso, em qualquer celebração eucarística deve consagrar-se, de ordinário, pão recente para a comunhão dos fiéis.
Devem levar-se os fiéis a comungar na própria celebração eucarística. No entanto, até convém que os fiéis que não podem estar presentes na celebração eucarística da comunidade, se alimentem frequentemente da Eucaristia, e assim se sintam unidos não só ao sacrifício do Senhor, mas também à mesma comunidade, e apoiados pela caridade dos irmãos.
Procurem os pastores de almas que se facilite a comunhão aos enfermos e às pessoas de idade avançada, embora não estejam gravemente doentes, nem seja iminente o perigo de morte; e isto não só com frequência, mas até, na medida do possível, todos os dias, particularmente no tempo pascal.
É ao sacerdote e ao diácono que pertence, em primeiro lugar, administrar a comunhão aos fiéis que a pedirem. Convém, pois, absolutamente, que dediquem a este ministério para que foram ordenados, uma parte conveniente de tempo, segundo a necessidade dos fiéis.
Também ao acólito, devidamente instituído, enquanto ministro extraordinário, pertence distribuir a sagrada comunhão todas as vezes que faltar um presbítero ou um diácono, ou que estes estiverem impedidos pela doença, pela idade avançada ou pelo ministério pastoral, ou quando o número dos fiéis, que se aproximam da sagrada mesa, for de tal modo elevado que a celebração da Missa ou de outra acção sagrada se prolongaria demasiado.
O Bispo pode dar a faculdade de distribuir a sagrada comunhão a outros ministros extraordinários, quando parecer necessário para a utilidade pastoral dos fiéis, e não estiver disponível nenhum sacerdote, diácono ou acólito.
A Eucaristia, que actualiza continuamente o mistério pascal de Cristo entre os homens, é a fonte de toda a graça e da remissão dos pecados. Contudo, os que tencionam receber o Corpo do Senhor, para alcançarem os frutos do sacramento pascal, devem aproximar-se dele de consciência pura e com as devidas disposições de espírito.
Por isso, a Igreja preceitua «que ninguém consciente de pecado mortal, por mais que se julgue arrependido, se deve aproximar da santíssima Eucaristia sem antes ter feito a confissão sacramental».
Os que vão comungar abstenham-se de alimentos e bebidas, excepto água ou remédios, pelo espaço de ao menos uma hora antes de receberem o Sacramento.
As pessoas de idade provecta e as que padecem de alguma doença, e ainda quem as trata, podem receber a santíssima Eucaristia, mesmo que dentro da hora anterior tenham tomado alguma coisa.
Horário das Missas
Na Paróquia de Almancil, são celebradas as seguintes Missas:
Domingo
17.30 - Igreja Nossa Senhora de Fátima
Sábado
17:30 - Igreja Nossa Senhora de Fátima
Para qualquer informação, dirija-se ao acolhimento paroquial nos horários de funcionamento.
Quando uma criança vem ao mundo, é um grande alegria para toda a família e em especial os seus pais. A criança é amada desde a sua concepção e, normalmente, a partir do anúncio da gravidez, tudo é preparado para que a vida deste novo ser seja bela e fecunda. O seu lugar no seio da família é preparado desde logo porque, em escassos meses, ela já está em casa e concentra a atenção de todos.
Os pais irão transmitir-lhe, pouco a pouco, o que julgam ser o melhor, o que lhes parece necessário à felicidade. Na verdade, os pais têm uma grande responsabilidade na transmissão dos valores fundamentais, em particular, ensinam os filhos a amar a vida e a compreender que ela não é feita somente de coisas materiais – o sacramento do Baptismo situa-se exactamente nesta perspectiva.
Não há dúvida que o primeiro passo tem uma importância fundamental. Mas o primeiro passo perde todo o seu sentido se não for acompanhado de uma longa caminhada. O Baptismo celebra a entrada na Igreja, na família dos cristãos e, por isso mesmo, é indispensável que o desejo dos pais que apresentam o seu filho ao baptismo seja sincero, de tal modo que permitam ao seu filho avançar mais longe e, tanto quanto possível, que o acompanhem. Com o auxílio dos padrinhos e da comunidade cristã, eles poderão palmilhar este caminho admirável que lhes proporcionará o encontro com o Deus vivo e verdadeiro.
A fé, o baptismo, a vida eterna.
Baptismo quer dizer “mergulho” e por isso nós compreendemos facilmente que se trata de um compromisso, de uma iniciativa de Deus que não quer outra coisa senão o bem dos seus filhos. O baptismo não é um rito mágico; as crianças não terão mais sorte nem escaparão às contingências da existência humana pelo facto de serem baptizadas. O Baptismo é um sacramento, isto é, uma iniciativa de Deus, um projecto de Deus, que procura o acolhimento do homem para se realizar plenamente. O baptismo é como uma semente introduzida no coração do homem – se essa semente nunca for cuidada, como poderá nascer uma árvore frondosa? Como poderá dar frutos?
A Igreja, no projecto de Deus para a humanidade, é o lugar da escuta e do crescimento na fé, é a reunião dos filhos de Deus que são chamados a celebrar o louvor de Deus na Eucaristia e nos outros sacramentos. Na Igreja aprendemos a escutar o Evangelho e a realizá-lo na nossa vida e, por isso mesmo, viver na Igreja é a garantia de que essa semente do baptismo dará muito fruto e nos proporcionará a vida eterna, esse dom de Deus marcado com o selo da sua misericórdia e bondade.
O baptismo é muitas vezes vivido como uma festa da família: celebra o nascimento de um bebé, é um acontecimento que reúne as pessoas da família e os amigos, que muitas vezes proporciona alguns reencontros. O baptismo é ocasião de dar ao seu filho um padrinho e uma madrinha que terão com ele uma relação mais íntima e exprime ainda a vontade dos pais de seguirem a tradição familiar de educar o filho, fazendo-o partilhar dos seus valores e dos seus princípios morais – no fundo, querem transmitir-lhe aquilo que receberam.
Mas o Baptismo traz-nos muito mais. Ele não é, em primeiro lugar, uma festa da família, é uma celebração eclesial que nos faz entrar na comunidade cristã, na Igreja. Esta celebração tem um significado espiritual e evangélico duma grande riqueza – o Baptismo une-nos a Cristo, faz-nos participar da sua morte e ressurreição e purifica-nos do pecado. Dá-nos o Espírito Santo que traz o Amor aos nossos corações, torna-nos plenamente filhos de Deus e faz-nos assim entrar na família de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo.
O Baptismo porta da vida e do reino de Deus, é o primeiro sacramento da Nova Lei que Cristo confiou à Igreja quando disse aos apóstolos: “Ide e ensinai todos os povos, baptizando-os…” (Mt. 28, 19).
O Baptismo é o sacramento pelo qual os indivíduos se tornam membros do Corpo de Cristo que é a Igreja.
É o banho da regeneração dos filhos de Deus, que liberta de toda a culpa;
É o sacramento da fé, da adesão incondicional à pessoa de Cristo;
É o sacramento do testemunho que compromete no anúncio do Evangelho pela vida e pela palavra oportuna;
É o sacramento da comunidade de fé, de esperança e de serviço.
A escolha do padrinho e da madrinha é, habitualmente, inspirada por motivo de estima ou por laços de parentesco ou amizade, independentemente da sua fé cristã.
O código de direito canónico que rege a Igreja diz:
Cânone 872 – Dê-se, quanto possível, ao baptizando um padrinho, cuja missão é assistir na sua iniciação cristã, e, conjuntamente com os pais, apresentar ao baptismo a criança a baptizar e esforçar-se por que o baptizado viva uma vida cristã consentânea com o baptismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes.
Cânone 873 – Haja um só padrinho ou uma só madrinha, ou então um padrinho e uma madrinha.
Cânone 874 - §1. Para alguém poder assumir o múnus de padrinho requer-se que:
1.º seja designado pelo próprio baptizando ou pelos seus pais ou por quem faz as vezes destes ou, na falta deles, pelo pároco ou ministro, e possua aptidão e intenção de desempenhar este múnus;
2.º tenha completado dezasseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou ao pároco ou ao ministro por justa causa pareça dever admitir-se excepção;
3.º seja católico, confirmado e já tenha recebido a santíssima Eucaristia, e leve uma vida consentânea com a fé e o múnus que vai desempenhar;
4.º não seja abrangido por nenhuma pena canónica legitimamente aplicada ou declarada;
5.º não seja o pai ou a mãe do baptizando.
§2. O baptizado pertencente a uma comunidade eclesial não católica (protestantes ou ortodoxos) só se admita juntamente com um padrinho católico e apenas como testemunha do baptismo.
CRIANÇAS até à idade de 4 anos (incluídos)
Para a realização do Baptismo de bebés, os pais devem dirigir-se ao acolhimento paroquial para a marcação de uma reunião com pároco, na qual serão fixados:
- O dia do Baptismo
- Uma reunião de Pais e Padrinhos. Nesta reunião será entregue o pedido de baptismo e o compromisso de educação cristã que deverá ser assinado pelos Pais.
Os Pais deverão apresentar:
- Cópia do assento de nascimento da criança
- Cópia do Bilhete de Identidade dos Pais e Padrinhos.
Os padrinhos deverão apresentar uma certidão de baptismo, e se não residem na freguesia de Almancil deverão também apresentar uma atestação de idoneidade a pedir na paróquia de residência.
CRIANÇAS a partir dos 7 anos.
As crianças em idade escolar, são preparadas através da catequese.
Os padrinhos deverão apresentar os mesmos documentos previstos para os baptismos de bebés.
ADULTOS
Quando um adulto desejar receber o baptismo, deve contactar a Equipa de catequese de Adultos para iniciar um tempo de preparação.
1. Acolhimento – a celebração começa com o acolhimento do celebrante aos pais e padrinhos, através de um diálogo com eles sobre o nome escolhido para a criança e sobre a vontade de baptizar o seu filho. Depois, todos eles fazem o sinal da cruz na fronte da criança.
2. Liturgia da Palavra – em primeiro lugar, proclama-se a Palavra de Deus para avivar a fé nos pais, padrinhos e demais familiares.
3. Celebração do Sacramento – em primeiro lugar, com as Ladainhas, pedimos a intercessão da Virgem Maria e dos Santos para aquela criança e terminamos com uma oração que pede a Deus que afaste a criança do mal e do pecado. Depois os padrinhos renunciam ao mal e professam a fé comprometendo-se a educar a criança na vida cristã. E eis que chegamos ao momento central: o celebrante abençoa a água e derrama-a na cabeça da criança (ou mergulha-a na piscina baptismal), significando assim o seu nascimento para a nova vida, a vida de Cristo ressuscitado. A seguir, unge a criança com o santo crisma, o azeite perfumado e consagrado pelo Bispo que significa como a vida nova de Jesus Cristo a deve impregnar totalmente, para que viva sempre como ele viveu. E, finalmente a entrega da vela acesa aos pais e padrinhos, que simboliza a luz de Cristo presente nas nossas vidas.
4. Conclusão – concluídos os ritos baptismais, todos juntos recitam o Pai Nosso, a oração que nos identifica como cristãos, onde nos reconhecemos como filhos de Deus ao chamar-lhe Pai. A celebração termina com a bênção da mãe, que leva o seu filho ao colo, do pai e de todos os presentes.
Transfiguração do Senhor – FESTA Branco – Ofício da festa. Te Deum. Missa própria, Glória, pf. próprio. L 1: Dn 7, 9-10. 13-14 ou 2Pd 1, 16-19; Sl 96 (97), 1-2. 5-6. 9 e 12 Ev: Mt 17, 1-9 * Proibidas as Missas de defuntos, exceto a exequial. * Na Diocese de Angra – Transfiguração do Senhor, Titular da Igreja Catedral sob o nome de São Salvador. Na Sé – SOLENIDADE; nas outras igrejas da Diocese – FESTA
| Qui. Ago. 06 Transfiguração do Senhor |
| Sex. Ago. 07 Beatos Agatângelo e Cassiano |
| Sex. Ago. 07 Santo Alberto de Trapani |
| Sex. Ago. 07 São Caetano |
| Sex. Ago. 07 São Sisto II e companheiros |
A paróquia de Nossa Senhora do Amparo e o seu Agrupamento 1398 do Corpo Nacional de Escutas (CNE) estão a acolher desde o dia 22 de julho um contingente 13 crianças e três responsáveis do Groupe VIème Aix en Provence, pertencente à associação Scouts et Guides de France (escuteiros e guias de França), um movimento […]
Folha do Domingo foi ouvir o novo presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, D. Alexandre Palma, sobre que papel devem assumir os órgãos de comunicação da Igreja e os jornalistas cristãos, qual o maior desafio que a Igreja enfrenta hoje no ambiente digital e tecnológico, o que é que aquela comissão pretende para o […]
O padre Henrique Marreiros Varela celebrou 60 anos de ordenação sacerdotal na passada sexta-feira, 31 de julho, e a celebração foi assinalada pelas paróquias de Loulé, onde foi pároco durante mais de 30 anos. Na Eucaristia, que teve lugar ao final da tarde na igreja matriz, o aniversariante agradeceu, sobretudo a Deus. “O Senhor fez […]
Pode visitar a Igreja de S. Lourenço nos seguintes horários
De 15 de Abril a 15 de Outubro (Horário de Verão)
Segunda-feira: 15h00 - 17h00
Terça-feira a Sábado: 10h00 - 13h00 e 15h00 - 17h00
De 16 de Outubro a 14 de Abril (Horário de Inverno)
Terça-feira a Sábado: 10h00 - 13h00 e 15h00 - 17h00
Ao Domingo encontra-se encerrada para visitas.
Entradas pagas